Variante Delta: 5 coisas que você precisa saber

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Identificada pela primeira vez na Índia em outubro de 2020, a variante Delta (B.1.617.2) do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19,  está entre as principais variantes de preocupação. Uma variante de preocupação, segundo definições da Organização Mundial da Saúde (OMS), é aquela que causa aumento da transmissibilidade ou alteração prejudicial na epidemiologia da Covid-19, ou aumento da virulência ou mudança na apresentação clínica da doença, ou diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou diagnósticos, vacinas, terapêuticas disponíveis.  

O mais recente relatório epidemiológico divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicou que a variante é predominante em todo o mundo, sendo detectada em quase 90% das amostras sequenciadas a nível global. Ela já está presente em 135 países, 22 são da Região das Américas.

No Brasil, apesar da variante Gama (P.1) ser predominante, a Delta está avançando. Os dados da Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), atualizados em 17 de agosto, apontam que a variante indiana corresponde a 21,7% dos casos sequenciados a partir de amostras coletadas. 

A variante Delta é mais contagiosa?

A variante Delta é caracterizada por causar mais infecções e, por sua maior transmissibilidade, tende a se espalhar mais rapidamente do que as cepas iniciais do vírus. Além disso,  o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, aponta que a baixa cobertura vacinal em muitas regiões está contribuindo para o aumento rápido de casos associados à variante Delta, agravando as chances de surgirem ainda mais variantes preocupantes.

Quais são os sintomas da variante Delta?

Os sintomas da Delta podem variar, visto que pessoas com esquema vacinal completo ou parcialmente vacinadas podem apresentar sinais distintos de pessoas que não foram imunizadas. 

Com sintomas semelhantes ao de uma gripe ou resfriado comuns, esta variante deixa de apresentar sintomas característicos das cepas iniciais do novo coronavírus, como a perda de olfato e paladar, havendo maior necessidade de testagem para melhor diagnosticar a doença. 

Os sintomas mais comuns de Covid-19 causados pela variante Delta são:

  • Dor de garganta;
  • Dor de cabeça;
  • Febre;
  • Coriza.

A variante Delta é mais grave?

Segundo o CDC, dados sugerem que a variante Delta pode causar sintomas mais graves do que as cepas anteriores em pessoas que não estão vacinadas contra a Covid-19. 

O CDC aponta que em dois estudos diferentes, realizados no Canadá e na Escócia, pacientes infectados com a variante Delta apresentaram maior probabilidade de serem hospitalizados em comparação com pacientes infectados pelas cepas originais do novo coronavírus ou outras variantes.

As vacinas protegem contra a Delta?

Apesar de seus desenvolvimentos terem sido realizados com base em versões anteriores do SARS-CoV-2, estudos realizados recentemente estão indicando que as principais vacinas aplicadas no Brasil e no mundo são eficazes contra a variante Delta. 

Uma análise realizada pela agência de Saúde Pública da Inglaterra (PHE, na sigla em inglês), indicou que as vacinas Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford apresentam mais de 90% de eficácia na proteção contra hospitalizações da variante Delta. Um estudo realizado na África do Sul revelou que a vacina Janssen reduz hospitalizações de infectados com a variante Delta em 71% e diminui os óbitos em até 95%.

Recentemente, um estudo preliminar da vacina CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, indicou que o imunizante evita em 100% o desenvolvimento de casos graves causados pela variante Delta e demonstra eficácia de 69,5% contra o aparecimento de pneumonias decorrentes da doença. 

Portanto, as vacinas seguem sendo um meio eficaz de reduzir o desenvolvimento de casos graves e óbitos decorrentes da Covid-19, ainda que seja possível contrair a doença. Completar o esquema vacinal com as duas doses – com exceção da Janssen- é fundamental para garantir a máxima proteção contra a doença e suas variantes. 

De acordo com o CDC, nas pessoas vacinadas, a infecção tende a permanecer por um período mais curto. Porém, assim como os não-vacinados, o órgão ressalta que: “Pessoas totalmente vacinadas com infecções da variante Delta podem espalhar o vírus para outras pessoas”. Por isso, é essencial continuar tomando os devidos cuidados para impedir o contágio e a disseminação do vírus. A seguir, saiba quais medidas tomar.

Uso de máscara é fundamental para combater a variante Delta

Como já sabemos que a variante Delta é mais transmissível do que as cepas anteriores do vírus, o uso de máscaras de proteção facial é ainda mais necessário para impedir a transmissão e maior disseminação da variante. 

“Devemos usar todas as estratégias de prevenção disponíveis, incluindo o uso de máscara. As vacinas desempenham um papel crucial na limitação da disseminação do vírus e na minimização de doenças graves. Embora as vacinas sejam altamente eficazes, elas não são perfeitas e haverá infecções”, ressalta o CDC.

Para garantir maior proteção contra a variante, é fundamental que a máscara seja usada de forma adequada. Isto é, ao utilizar uma máscara, certifique-se de que ela está bem ajustada ao rosto, impedindo a passagem de ar. Considerando o contágio mais fácil pela Delta, se possível, dê preferência para as máscaras do tipo PFF2 (Peça Facial Filtrante). Estas são mais indicadas em situações de maior risco de exposição ao vírus por garantirem maior vedação, além de possuírem uma camada filtrante eficiente para proteção contra aerossóis e gotículas.

As máscaras de tecido, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início da pandemia, para esta variante têm menor capacidade de filtragem e, por isso, o mais recomendado é utilizar máscaras de pano com camada tripla, ou usar uma máscara cirúrgica por baixo e uma máscara de pano por cima, sempre cobrindo bem a boca e o nariz, e evitando tocar nas máscaras. 

Já as máscaras cirúrgicas descartáveis, feitas de TNT em três camadas, possuem boa capacidade de filtragem, porém, estas costumam não ter boa vedação sobre a face, deixando espaços nas laterais, o que pode facilitar o contágio. É importante certificar-se de que ela está bem ajustada ao rosto.

Mas uma coisa é certa, independe do tipo, é imprescindível usar as máscaras adequadamente, tomando cuidados necessários, como: boa vedação. Ajuste bem a máscara no seu rosto, não deixando escapar ar entre as laterais, por baixo e por cima da máscara. Cubra sempre o nariz, a boca e o queixo. As máscaras só são eficazes quando estes ficam totalmente cobertos. Não use de jeito nenhum máscara no queixo ou pendurada na orelha. Desse modo, você impede o contágio e a disseminação do vírus. 

Além disso, evite tocar nas máscaras e usar máscaras muito largas. Tenha sempre mais de três máscaras. No caso das descartáveis, elas devem ser jogadas no lixo, preferencialmente dentro de um saco plástico. 

E não esqueça: mantenha o distanciamento social, a higienização adequada, evite aglomerações e, ao suspeitar dos sintomas de Covid-19, procure uma unidade de saúde.


Foto: Freepik


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