Paralimpíadas: agência antidoping libera uso de produtos à base de canabidiol aos atletas


Centro de debates sobre seus efeitos medicinais, o canabidiol (CBD), substância extraída da planta Cannabis (maconha), foi liberado aos atletas paralímpicos pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês).

Considerando os tabus e preconceitos que cercam o CBD, a aprovação da Wada é um grande passo que contribui para a desmistificação do uso da cannabis para fins medicinais. A decisão da agência foi vista com alívio por atletas paralímpicos, visto que nem sempre a cannabis medicinal foi acessível para eles.

“Eu já conhecia o CBD há bastante tempo, mas nunca foi possível pensar isso no Brasil porque me parecia algo muito distante e extremamente mistificado. Não era uma alternativa pelo difícil acesso, mas o fato da Wada liberar o óleo já mostra que eles estão de olho na ciência e querendo quebrar esse tabu, porque não tem como não olhar para os benefícios que o CBD pode trazer”, contou o nadador paralímpico Talisson Glock, que está competindo na Paralimpíada de Tóquio este ano, à empresa brasileira Pangaia, distribuidora de cannabis no país. 

O nadador disse que, diante da abertura brasileira sobre o assunto nos últimos anos, ele resolveu ir atrás do óleo para tratar seus recorrentes problemas de insônia. Glock adotou a CBD em 2020, obtendo sucesso no seu tratamento.

“Tem me ajudado demais na recuperação entre os treinos, no descanso e principalmente na qualidade do sono. Não tive problema relacionado ao uso simultâneo de outros medicamentos, nenhum efeito colateral e, até por isso, eu acredito que o CBD é uma ótima estratégia e vai estar cada dia mais presente na vida dos atletas”, relata Glock.

O nadador não ficou sozinho. Ele compartilhou sua experiência com seu companheiro paralímpico, o nadador Roberto Alcalde, que tem mielomeningocele, uma malformação na coluna vertebral. Alcalde conta como o uso do CBD ajudou a controlar sua ansiedade. “Demoro para sentir efeito de remédios e estranhei logo de cara a verdadeira ‘dormência’ da minha ansiedade, pois logo comecei a treinar melhor, com mais pensamentos positivos e estou muito mais concentrado”, explica Alcalde. 

Para a atleta paralímpica Susana Schnarndorf, diagnosticada com MSA (Atrofia de Múltiplos Sistemas),  a cannabis medicinal foi um alívio para as crises de ansiedade e de insônia. “Resolvi usar CBD buscando uma nova alternativa, uma vez que o tratamento convencional não estava proporcionando a qualidade de vida que eu queria. A minha doença – que é degenerativa – pode não ter melhorado, mas eu sinto que ele progride bem mais devagar”, declara Susana. 

CBD no Brasil

Inúmeras pesquisas já apontaram que os benefícios do composto auxiliam para o tratamento da dor e de outras doenças. Os principais estudos que comprovam os benefícios da substância para a saúde envolvem doenças como Parkinson, esclerose múltipla, esquizofrenia, epilepsia, autismo, síndrome de Burnout, insônia e ansiedade, além de dores crônicas e inflamações.

O CBD age sobre o sistema nervoso central, estimulando um neurotransmissor produzido pelo nosso organismo, chamado anandamida, que produz efeitos analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em dezembro de 2020, a criação de uma nova categoria de produtos provenientes da cannabis, que entrou em vigor em março deste ano. Desse modo, empresas interessadas podem fabricar e comercializar no Brasil os produtos à base de cannabis, solicitando o pedido de autorização à agência reguladora. 

De acordo com a Anvisa, o regulamento prevê que o comércio dos produtos de cannabis será feito exclusivamente mediante receita médica de controle especial. As regras variam de acordo com a concentração de tetra-hidrocanabinol (THC), substância responsável pela maioria dos efeitos psicoativos da cannabis. “Nas formulações com concentração de THC de até 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B, com numeração fornecida pela Vigilância Sanitária local e renovação de receita em até 60 dias”. 

Para os produtos com concentrações de THC superiores a 0,2%, a Anvisa esclarece que estes só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. “Nesse caso, o receituário para prescrição será do tipo A, com validade de 30 dias, fornecido pela Vigilância Sanitária local, padrão semelhante ao da morfina, por exemplo”.

A venda de medicamentos com canabidiol autorizados pela Anvisa só podem ser realizadas por farmácias e drogarias, vendidos mediante apresentação de receita médica de controle especial.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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