Praticar exercício físico de forma regular pode evitar o Alzheimer, diz estudo

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Praticar exercício físico regularmente pode atrasar o progresso da doença de Alzheimer, melhorando a regulação do metabolismo do ferro no cérebro, de acordo com um estudo publicado no  International Journal of Molecular Sciences. Os achados foram divulgados pelo site Medical News Today.

Sabemos que a prática de atividade física regular oferece uma gama de benefícios à saúde. Entre os inúmeros benefícios, podemos incluir o risco reduzido de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, perda de gordura corporal, além de contribuir para a saúde mental, melhorar a memória e a disposição. Manter-se fisicamente ativo também minimiza o declínio que pode ocorrer no crescimento das células nervosas e na conectividade à medida que as pessoas envelhecem.

No entanto, ainda não está claro exatamente de que forma a atividade física protege o cérebro contra as implicações do Alzheimer. Por isso, o estudo, liderado por pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental, realizou comparações em ratos geneticamente predispostos a desenvolver Alzheimer com ratos comuns, para descobrir como os exercícios físicos podem contribuir contra o Alzheimer.

A pesquisa

Metade dos roedores teve livre acesso a uma roda de exercício em suas gaiolas, enquanto a outra metade levou uma vida mais sedentária. Depois de seis meses, os pesquisadores avaliaram os níveis de ferro e de proteínas essenciais para a regulação no cérebro e nos músculos dos animais. Eles descobriram que o funcionamento alterava o metabolismo e o transporte do ferro no cérebro, além de aumentar a capacidade de ferro nos músculos.

Tanto o processo normal de envelhecimento quanto o de Alzheimer, segundo os pesquisadores, estão associados a mudanças na maneira como o cérebro lida com o ferro.

De acordo com o estudo, o exercício reduziu os níveis das proteínas ferritina e hepcidina, que promovem o armazenamento de ferro no córtex do cérebro. As análises também indicaram que a quantidade de beta-amilóide diminuiu no cérebro dos ratos que estavam predispostos a desenvolver Alzheimer.

Além disso, simultaneamente, as concentrações da molécula sinalizadora interleucina-6 (IL-6), proteína que promove a inflamação, foram menores no córtex e no plasma sanguíneo dos animais que se exercitavam.

Em humanos, segundo os pesquisadores, a prática de exercício físico regular é conhecida por suprimir a quantidade de IL-6 circulante no sangue, enquanto o sedentarismo aumenta esses níveis. Essa proteína, que pode atravessar a barreira hematoencefálica, promove o armazenamento de ferro por meio de seus efeitos na hepcidina durante a inflamação.

A pesquisa apresentou algumas limitações, sendo que a principal foi envolver um modelo animal da doença, que pode diferir de maneira importante da manifestação da doença em humanos, além de que os exercícios podem causar efeitos diferentes no metabolismo do ferro em ratos e pessoas.

Considerando os resultados, os pesquisadores consideram que, ao suprimir a IL-6, o exercício físico regular ajuda a proteger o cérebro da interrupção da homeostase do ferro, que é uma característica tanto do envelhecimento quanto do Alzheimer.

“Este estudo destaca a importância da desregulação do ferro no Alzheimer e demonstra que o exercício de corrida voluntária de longo prazo modula a homeostase do ferro no cérebro e nos músculos esqueléticos de ambos [ratos comuns e ratos com Alzheimer]. Nosso estudo é o primeiro a vincular as alterações cerebrais da homeostase do ferro com a diminuição da hepcidina e da IL-6 em resposta ao exercício físico regular”, concluem os pesquisadores do estudo.

A doença de Alzheimer

O Alzheimer é uma doença degenerativa, sendo a forma mais comum de demência, causando a degeneração de partes do cérebro que desempenham um papel importante na memória e linguagem. Essa condição afeta principalmente pessoas entre os 60 e 90 anos de idade.

Na maioria dos casos, o Alzheimer está associado a doenças relacionadas à idade e fatores genéticos, porém, o estilo de vida, como o sedentarismo e a má alimentação, desempenham papéis importantes para o desenvolvimento da doença.


Foto: Freepik


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