Tecnologia da vacina AstraZeneca pode ajudar no desenvolvimento de imunizante contra o câncer

0
75

O desenvolvimento de vacina contra a Covid-19 ajuda a abrir um novo caminho de esperança para o combate ao câncer. Isso porque a tecnologia de vetor viral utilizada na vacina AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, pode contribuir para o avanço no desenvolvimento de um imunizante contra o câncer.

Pesquisadores da Universidade de Oxford e do  Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer realizaram testes em camundongos, que indicaram que a vacina contra o câncer aumentou os níveis de células que combatem o câncer, chamadas células T, e melhorou a eficácia da imunoterapia contra o câncer. A pesquisa foi publicada no Journal por ImmunoTherapy of Cancer

A imunoterapia contra o câncer, que consiste em transformar o próprio sistema imunológico do paciente contra um tumor, em alguns casos proporcionou melhorias significativas nos resultados de pacientes com câncer. No entanto, segundo os pesquisadores, apesar do sucesso, a terapia anti-PD-1 é ineficaz na maioria dos pacientes com câncer.

De acordo com a Universidade de Oxford, considerando a baixa eficácia da imunoterapia é que alguns pacientes têm baixos níveis de células T antitumorais. Por outro lado, segundo os pesquisadores, a tecnologia da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 gera fortes respostas de células T CD8 +, que são necessárias para bons efeitos antitumorais.

Foi assim que o grupo de pesquisadores desenvolveu uma vacina terapêutica contra o câncer, que consiste na aplicação de duas doses com diferentes vetores virais primários e de reforço, um dos quais é o mesmo que o vetor da vacina Oxford/AstraZeneca. A tecnologia de  vetor viral utilizada no imunizante contra Covid19 consiste em induzir a resposta do sistema imunológico, assim, gerando proteção contra o vírus.  Essa tecnologia usa o material genético do adenovírus de chimpanzé geneticamente modificado.

“A fim de criar um tratamento de vacina que visa especificamente células cancerosas, a vacina foi projetada para atingir duas proteínas do tipo MAGE que estão presentes na superfície de muitos tipos de células cancerosas. Chamados de MAGE-A3 e NY-ESO-1, esses dois alvos foram previamente validados pelo Ludwig Institute”, destacam os pesquisadores.

Combinação de vacina e imunoterapia

As análises pré-clínicas realizadas em camundongos demonstraram que a vacina contra o câncer aumentou os níveis de células T CD8 + que se infiltram no tumor e aumentou a resposta à imunoterapia anti-PD-1. O estudo indicou que a vacina combinada com a imunoterapia resultou em uma maior redução no tamanho do tumor e melhorou a sobrevivência dos camundongos em comparação com o tratamento realizado somente com a imunoterapia.

O professor de imunologia tumoral da Universidade de Oxford, membro do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer  e diretor do Instituto de Duve, Benoit Van den Eynde,  afirmou à Universidade de Oxford: “Sabíamos, por nossa pesquisa anterior, que as proteínas do tipo MAGE agem como o vermelho sinalizadores na superfície das células cancerosas para atrair células do sistema imunológico que destroem os tumores”.

Os pesquisadores de Oxford explicam que as proteínas MAGE têm uma vantagem sobre outros antígenos de câncer como alvos de vacinas, uma vez que estão presentes em uma ampla gama de tipos de tumor. Desse modo, acaba ampliando o benefício potencial dessa abordagem para pessoas com muitos tipos diferentes de câncer.

“É importante para a especificidade do alvo, os antígenos do tipo MAGE não estão presentes na superfície dos tecidos normais, o que reduz o risco de efeitos colaterais causados ​​pelo sistema imunológico que ataca as células saudáveis”, esclarece Eynde.

Ainda no final deste ano, a Universidade de Oxford informa que um ensaio clínico de fases 1 e 2 da vacina contra o câncer combinada com a imunoterapia será realizado em 80 pacientes com câncer de pulmão.


Foto: Freepik


LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here