Estudo revela que insônia, ansiedade e depressão foram muito prevalentes na primeira fase da pandemia


Desde o início da pandemia de Covid-19, passamos por muitas transformações que impactaram no nosso estilo de vida. Com essas mudanças, surgiram fatores estressantes associados à preocupações com a saúde, isolamento social, dificuldades financeiras, educação e incerteza sobre o futuro. Questões que afetaram o sono e o bem-estar psicológico de muitos indivíduos. O estudo foi publicado na revista científica Science Direct.

A fim de entender o impacto das mudanças na vida das pessoas proporcionadas pela pandemia, um estudo internacional sobre o sono descobriu que a insônia, a ansiedade e a depressão eram muito prevalentes durante a primeira onda da pandemia Covid-19. 

Liderado pelo professor Colin Espie, do Departamento de Neurociências Clínicas de Nuffield da Universidade de Oxford, e pelo professor Charles Morin, do Departamento de Psicologia e diretor da Universidade Laval, a pesquisa começou a investigar o impacto da pandemia no sono e ritmos diários em adultos, quando a pandemia já estava em um ponto alto no mundo.

Durante a primeira onda da pandemia, de maio a agosto de 2020, os pesquisadores documentaram a prevalência de casos clínicos de insônia, ansiedade e depressão e fatores de risco selecionados, como a Covid-19, confinamento, encargo financeiro e isolamento social. Participaram do estudo mais de 22 mil adultos, acima de 18 anos de idade, de 13 países em quatro continentes, que completaram uma pesquisa baseada na web sobre sono e sintomas psicológicos.

O questionário respondido pelos participantes incluiu perguntas de questionários validados, bem como perguntas que foram desenvolvidas para este estudo, somando cem questões. Os pesquisadores então separaram quatro categorias para identificar em quais os participantes se inseriam, utilizando um método de pontuações: 1) Índice de gravidade da insônia (ISI); 2) Questionário de saúde do paciente; 3) Transtorno de ansiedade generalizada; 4) Potenciais moderadores de insônia.

Dos participantes entrevistados, mais de um terço relataram sintomas clínicos de insônia e quase um quinto atenderam aos critérios para um provável distúrbio de insônia. Além disso, mais de um quarto dos participantes tinha provável ansiedade e quase um quarto provável depressão. 

De acordo com os pesquisadores, o risco de insônia foi maior entre os participantes que tiveram Covid-19, bem como aqueles que relataram ter maior sobrecarga financeira, estavam em confinamento por um período de quatro a cinco semanas e moravam sozinhos ou com mais de cinco pessoas na mesma casa.

Os pesquisadores do estudo estão recomendando intervenções de saúde pública para reduzir os resultados adversos de longo prazo associados à insônia crônica e problemas de saúde mental. O professor Colin Espie disse em entrevista à Universidade de Oxford que as autoridades de saúde devem ter um olhar mais atento à saúde mental e ao sono da população.

“As autoridades de saúde devem implantar programas de prevenção do sono e da saúde mental, bem como intervenções clínicas para ajudar os indivíduos em risco e reduzir os resultados adversos para a saúde a longo prazo. A pesquisa mostra que, quando você trata a insônia, muitas vezes não só observa melhorias no sono, mas também reduções na ansiedade e nos sintomas depressivos, e na saúde mental e no bem-estar. Este estudo fornece mais evidências do impacto do sono na saúde mental e como podemos começar a abordar a crise de saúde mental por meio de intervenções de insônia baseadas em evidências”. 


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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