Atividade física como foco para evitar consequências da obesidade para a saúde

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A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública a ser enfrentado no mundo. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), somente na Região das Américas, 62,5% dos adultos estão com sobrepeso ou obesidade, sendo 64,1% homens e 60,9% mulheres. Tratando-se apenas da obesidade, o percentual atinge a marca de 28% de pessoas acometidas pela doença, com prevalência maior entre as mulheres (31%) em comparação com os homens (26%). 

Muitas pessoas buscam perder peso, aderindo às restrições alimentares e às atividades físicas. No entanto, nem sempre é uma tarefa fácil, onde muitos não conseguem atingir seu peso ideal, e aqueles que conseguem, lutam para mantê-lo.

Em ambos os casos, pode ocasionar em frustração e redução da estratégia de perda de peso, o que leva a um ciclo que chamamos de “efeito sanfona”, que ocorre quando há perda e ganho de peso após uma dieta. Essa alternância de peso está associada a resultados adversos para a saúde.

Cientistas argumentaram que uma abordagem de limitar a ingestão de calorias e aumentar os níveis de atividade física focada na perda de peso pode ser inadequada no que diz respeito ao controle da obesidade. Em vez disso, eles sugerem que uma abordagem que chamam de “gordurosa, mas adequada” aliada ao aumento dos níveis de atividade física e na melhoria da aptidão cardiorrespiratória é a melhor alternativa a ser seguida por aqueles que procuram perder o excesso de peso corporal.

Eles argumentam que melhorar a forma física, mesmo na ausência de perda de peso, pode contribuir para a redução dos riscos de doenças cardiovasculares e mortalidade.

Pensando nisso, recentemente foi publicada na revista científica iScience uma revisão que avalia como reduzir o risco de doenças e mortalidade relacionadas à obesidade. O estudo compara a eficácia da atividade física e aptidão cardiorrespiratória com a perda de peso. A revisão apresenta indicativos de que, mesmo na ausência de perda de peso, uma abordagem que aumenta os níveis da atividade física e melhora os níveis de condicionamento físico pode reduzir o risco de problemas de saúde e mortalidade relacionados à obesidade. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

A pesquisa

Contrária a demais pesquisas que mostram que a perda de peso intencional por meio de restrição calórica e exercícios físicos pode reduzir o risco de mortalidade, a revisão não mostrou consistentemente que a perda de peso reduz o risco de mortalidade. De acordo com os autores do estudo, também foi observado que sustentar a perda de peso por um período prolongado costuma ser um desafio. “À medida que mais indivíduos tentam perder peso reduzindo a ingestão de calorias, também ocorre um aumento na prevalência de ciclagem de peso”.

Além do mais, em comparação com a perda de peso, os pesquisadores indicam que há evidências mais consistentes sugerindo que a aptidão cardiorrespiratória pode reduzir ou mesmo eliminar os riscos de mortalidade associados ao índice de massa corporal (IMC) elevado.

A prática de atividade física ainda é capaz de reduzir o risco de mortalidade por todas as causas e doenças cardiovasculares associadas ao IMC elevado. O impacto da atividade física no risco de mortalidade, no entanto, é menos acentuado do que a aptidão cardiorrespiratória.

Pesquisas complementares também revelam que o aumento dos níveis de atividade física e a melhora da aptidão cardiorrespiratória podem reduzir o risco de mortalidade associado ao IMC em longo prazo, além de proporcionar uma redução maior no risco de mortalidade do que a perda Com isso, os pesquisadores indicam que não é possível atribuir à perda de peso o risco reduzido de mortalidade por todas as causas e doenças cardiovasculares associado à melhoria da aptidão.

A prática de atividade física e a aptidão cardiorrespiratória, além de reduzirem os riscos de doenças cardiovasculares, também podem resultar na redução dos riscos de diabetes tipo 2. Essas melhorias são comparáveis ​​àquelas produzidas pela perda de peso. Isto é, segundo os pesquisadores do estudo, foi observado que tanto o treinamento de resistência quanto o exercício aeróbico produzem uma diminuição na pressão arterial, com a extensão do declínio sendo semelhante àquela resultante da perda de peso.

Manter-se ativo também melhora o controle da glicose no sangue, os níveis de colesterol e a função vascular de forma semelhante à perda de peso, além de ser eficaz na redução da quantidade de gordura que o corpo armazena no fígado e tecido adiposo visceral – gordura que envolve os órgãos internos, especialmente no abdômen -, que  estão associados a um risco aumentado de doença cardiovascular e diabetes tipo 2.

“A boa forma deve ser incluída como um ‘sinal vital’ essencial para avaliar o estado de saúde de uma pessoa. Embora estejamos nos concentrando na obesidade nesta revisão, é importante destacar o fato de que o condicionamento físico afeta as perspectivas de saúde e longevidade para todos, independentemente do peso corporal ”, disse o pesquisador Glenn Gaesser, co-autor do estudo.

Os pesquisadores ainda indicam que, embora a restrição calórica severa seja mais eficaz do que o treinamento físico na redução dessas reservas de gordura, a restrição calórica por longos períodos geralmente não é sustentável. As atividades físicas também podem melhorar a resposta do tecido adiposo à insulina, com redução da sensibilidade do tecido adiposo à insulina, que ocorre na obesidade e no diabetes tipo 2.

A recomendação dos pesquisadores é que seja realizada uma abordagem neutra em relação ao peso que se concentra principalmente em melhorar a aptidão cardiorrespiratória e aumentar a atividade física para o controle da obesidade. Eles esclarecem que, embora os profissionais de saúde não devam desencorajar a perda de peso, ela não deve ser o foco principal do controle da obesidade.


Foto: Freepik


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