Estudo indica municípios que apresentam maior risco de gestantes contraírem Covid-19

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) revela que, dos 5.570 municípios brasileiros, 50 apresentam alto risco de contaminação por Covid-19 para gestantes e puérperas. Durante 16 meses, os pesquisadores da UFS mapearam os casos e óbitos causados pela doença na população obstétrica no Brasil. O artigo da pesquisa, realizada em parceria com sete pesquisadores de mais duas instituições de pesquisa, sendo uma delas do Reino Unido, foi publicado na revista científica The Lancet, uma das mais prestigiadas do mundo na área da Medicina.

Entre os 50 municípios identificados com alto risco nessa população, a Paraíba (13) tem o maior número de cidades nessa condição. Em seguida, estão os estados do Ceará (7), Amazonas (7), São Paulo (7), Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (4), Paraná (3), Mato Grosso (2) e Santa Catarina (1).

Além dos municípios, o estudo analisou 15 cidades brasileiras, que indicaram risco elevado de morte materna por Covid-19. Quatro destes municípios estão localizados em Minas Gerais. Os outros pertencem aos estados de São Paulo (3), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (1), Amazonas (1), Roraima (1), Pernambuco (1), Bahia (1) e Rio Grande do Sul (1).

“A identificação dessas áreas geográficas poderia ser utilizada para direcionar ações efetivas de testagem de massa, isolamento de casos para mitigar a propagação da doença, bem como a destinação de recursos em saúde necessários para prevenir mortes maternas. Os dados também reforçam que elas constituem um grupo prioritário para receber vacinas contra Covid-19”, afirmou o epidemiologista e professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS, Victor Santana Santos, que liderou o trabalho.

O mapeamento

Para a pesquisa, foram usados dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe do Ministério da Saúde (SIVEP),  entre março de 2020 e junho de 2021. Nesse período, o país registrou 13.858 casos e 1.396 mortes por Covid-19 entre mulheres grávidas e em pós-parto. Nesse cenário, a análise de base populacional revela as localidades com risco elevado de infecção ao traçar a relação entre os indicadores da doença e questões de vulnerabilidade socioeconômica e de iniquidades em saúde.

O epidemiologista relata que o estudo “fornece evidências científicas dos efeitos das desigualdades geográficas e regionais, disparidades de saúde e pobreza sobre a população obstétrica afetada pela covid-19 em um país de baixa e média renda”.

Ao mapearam os casos e óbitos provocados pela Covid-19, os pesquisadores realizaram uma análise de distribuição espacial com o uso de técnicas de estatística. “Isso permite identificar se aquele município ou aquela redondeza vai se constituir em um aglomerado, se existe um maior risco da mulher puérpera ou gestante adquirir a doença ali”, explica Santos.

No estudo, os fatores considerados para a correlação vão de índices de analfabetismo à disponibilidade de leitos de UTI. São eles: índice de vulnerabilidade social, trabalho e renda, índice de desenvolvimento humano municipal (MHDI), população que vive em casas com serviços inadequados de abastecimento de água e esgoto e em casas com serviços inadequados de coleta de lixo, além de pessoas analfabetas, porcentagem de pessoas com baixa renda, desemprego, leitos hospitalares, cobertura da estratégia de saúde da família e coberturas dos médicos e enfermeiros.


Foto: Freepik


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