Estudo indica que pacientes com Alzheimer têm risco aumentado de desenvolver Covid-19 grave

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Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que o mal de Alzheimer é um fator de risco para quem contrai a Covid-19, independentemente da idade.  O artigo da pesquisa foi publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association.

Realizada entre 16 de março e 24 de agosto de 2020, a pesquisa indicou que o Alzheimer não aumentou o risco de internações ao ser comparado com outras comorbidades. No entanto, quando um paciente era internado e já tinha a doença, o risco de desenvolver um quadro mais grave por conta do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, foi três vezes maior na comparação com quem não tinha a condição. Em pacientes acima de 80 anos, o risco é seis vezes maior.

O estudo envolveu 12.863 indivíduos maiores de 65 anos pertencentes ao UK Biobank, um banco de dados clínicos de cerca de 500 mil pacientes acompanhados desde 2006 pelo sistema público de saúde do Reino Unido. Segundo o Instituto Butantan, é o primeiro estudo baseado em dados que indica que pacientes com doenças neurodegenerativas têm mais risco de morte por conta da Covid-19.

Os participantes do estudo foram divididos em três grupos: de 66 a 74 anos, com 6.182 pessoas; 75 a 79 anos, com 4.867 pessoas; e acima de 80 anos, com 1.814 pessoas. Após todos os testes realizados, um total de 1.167 participantes testaram positivo para Covid-19 e 11.696 apresentaram indicadores negativos. Em todos os três grupos, os indivíduos com Alzheimer e Parkinson eram em média mais velhos que os que não tinham essas doenças.

De acordo com os pesquisadores, quando o novo coronavírus infecta o organismo, o corpo responde com um processo inflamatório para combater o vírus. Porém, quando ocorre a chamada tempestade de citocina, que é o momento de grande liberação de moléculas do processo inflamatório, essa resposta inflamatória se torna exagerada, saindo de controle. No caso dos pacientes de Alzheimer, que já possuem um quadro de inflamação cerebral, a tempestade de citocina é pior.

O Alzheimer

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo caracterizado pela degeneração de partes do cérebro que desempenham um papel importante na memória e linguagem, comprometendo as atividades de vida diária e provocando alterações comportamentais. 

Essa condição afeta principalmente pessoas entre os 60 e 90 anos de idade. Mais de 45 milhões de pessoas são acometidas pelo Alzheimer no mundo e mais de 1,2 milhão no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença afeta cerca de 30% da população com mais de 85 anos. 

Na maioria dos casos, o Alzheimer está associado à idade, fatores genéticos, doenças como hipertensão, diabetes e obesidade. Contudo, o estilo de vida, como o sedentarismo, o tabagismo e a má alimentação, também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.


Foto: Freepik


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