Raiva: saiba o que é, sintomas, tratamento e prevenção

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A raiva é uma zoonese (antropozoonose), doença transmitida entre animais e pessoas, infecciosa viral aguda, que afeta  apenas os mamíferos. É causada pelo Vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae, que compromete o sistema nervoso central (SNC), causando uma encefalite progressiva e aguda com alta  letalidade, levando à morte em praticamente 100% dos casos.

Transmissão

Ela é transmitida a um indivíduo através da saliva e secreções do animal infectado com o vírus da raiva, geralmente por meio de mordidas, mas também pode ser transmitida por meio de arranhadura e/ou lambedura. Por isso, é fundamental procurar atendimento de urgência nesses casos, sobretudo quando o animal é desconhecido, assim, a raiva pode ser tratada.

A doença pode ser transmitida por morcegos, animais domésticos de interesse econômico ou de produção (bovinos, ovinos, suínos, entre outros), raposas, guaxinins e outros mamíferos silvestres. Porém, cães e gatos são a principal fonte de transmissão da raiva para humanos. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

Sintomas da raiva humana

Os sintomas da raiva em humanos surgem após o período de incubação do vírus, de aproximadamente 45 dias após a mordida de um animal contaminado. Após esse período, que é o tempo que leva para o vírus atingir o cérebro, surgem sinais e sintomas semelhantes ao de uma gripe, que devem durar de 2 a 10 dias, eles incluem:

  • Mal estar geral;
  • Febre baixa;
  • Sensação de fraqueza;
  • Dor de cabeça;
  • Náuseas;
  • Dor de garganta;
  • Irritabilidade.

Quando o quadro clínico progride, surgem manifestações como ansiedade, agitação, delírios, insônia, espasmos musculares involuntários e generalizados, convulsões e comportamento anormal. Os espasmos musculares, quando evoluem, atingem um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. Quando surgem as manifestações neurológicas, a doença costuma ser fatal. De acordo com o Ministério da Saúde, o período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é, em geral, de 2 a 7 dias.

No local da mordida, também pode haver infecção ou surgir algum desconforto, como a sensação de formigamento. Em casos de infecção, é necessário fazer a administração de antibiótico, recomendado por um médico, além da higienização do local.

Como tratar

Ao ser mordido por um animal, principalmente animais de rua, o primeiro passo é lavar bem o local da mordida com água e sabão. Logo após, é preciso procurar com urgência uma Unidade Básica de Saúde ou um Pronto Socorro, para receber atendimento de um profissional de saúde, que irá avaliar o caso e os riscos de exposição à raiva, e determinar o tratamento adequado. É iniciado o protocolo de exposição ao vírus da raiva, que consiste no esquema para profilaxia da raiva humana com soro e vacina antirrábica. Estes são fundamentais para impedir que a doença evolua.

O esquema de profilaxia da raiva humana pós-exposição, recomendado pelo Ministério da Saúde, tem duração de  28 dias. São aplicadas duas doses da vacina, utilizando a via intradérmica (ID) ou via intramuscular (IM), em locais distintos do corpo, com o seguintes esquema de datas, contando a partir do dia da mordida:

  • Dia 0 – 2 doses em 2 locais distintos 
  • 3º dia – 2 doses em 2 locais distintos 
  • 7º dia – 2 doses em 2 locais distintos 
  • 28º dia – 2 doses em 2 locais distintos

Em casos de mordida por cão ou gato que apresentam sinais clínicos de infecção pelo vírus da raiva, ou desaparecidos ou mortos, é necessário iniciar imediatamente o esquema profilático com soro antirrábico humano e as doses da vacina antirrábica. 

Nos casos em que o animal é clinicamente suspeito de raiva no momento da agressão, deve-se iniciar o esquema profilático. Além disso, se possível, o animal deve ser mantido em observação durante 10 dias, quando a suspeita de raiva é descartada neste período, o esquema profilático poderá ser suspenso e o caso encerrado. Por outro lado, se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso, é necessário completar o esquema até o 28º dia. 

De acordo com o Ministério da Saúde, podem ser dispensados do esquema profilático as pessoas agredidas pelo cão ou gato que, com certeza, não têm risco de contrair a infecção rábica. Por exemplo, animais que vivem dentro do domicílio (exclusivamente); não tenham contato com outros animais desconhecidos; que somente saem à rua acompanhados dos seus donos e que não circulam em área com a presença de morcegos. 

A profilaxia pré-exposição é indicada para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva durante atividades ocupacionais, que são exercidas por profissionais como: médicos veterinários; biólogos; profissionais de laboratório de virologia e anatomopatologia para raiva; estudantes de medicina veterinária, zootecnia, biologia, agronomia e áreas afins; pessoas que atuam na captura, manejo, coleta de amostras, investigações ecopidemiológicas, identificação e classificação de mamíferos; e outros profissionais que trabalham em áreas de risco. 

Além disso, o Ministério indica que indivíduos com risco de exposição ocasional ao vírus, como turistas que viajam para áreas de risco, devem ser avaliados individualmente, podendo receber a profilaxia pré-exposição dependendo do risco a que estarão expostos durante a viagem.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenir e se proteger contra a raiva, é vacinar anualmente cães e gatos. O animal que possui a carteira de vacinação contra a raiva em dia não apresenta risco de contaminação da doença, assim, não transmitindo para humanos. 

Além disso, outras medidas de prevenção podem ser tomadas, como evitar o contato com animais de rua, bem como com animais silvestres, além de evitar zonas em que há maior prevalência da doença.


Foto: Freepik


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