Bagaço de maracujá vira matéria-prima para cosmético antienvelhecimento

0
93

Já imaginou que o maracujá pode servir para além da alimentação? Geralmente descartado pela indústria de sucos, o bagaço da fruta possui compostos bioativos cujas propriedades têm aplicações promissoras no mercado de cosméticos. Isso porque pesquisadores descobriram que algumas das propriedades do maracujá auxilia na redução de manchas da pele, além da redução significativa no nível de rugas e aumento da hidratação facial.

Agora, esse resíduo industrial é a matéria-prima de um produto antienvelhecimento para a pele, produzido de forma sustentável, com atuação antioxidante testada e comprovada. A empresa Rubian Extratos, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu uma miniemulsão que é a base do complexo antioxidante Rejuvenate. A inovação também tem potencial para várias outras rotas de aplicação.

Segundo o engenheiro químico Eduardo Aledo, um dos sócios da empresa, o projeto do cosmético incluiu uma série de testes que comprovaram a performance e a segurança do produto. “O bagaço do maracujá é um resíduo da indústria de sucos que é descartado ou, na melhor das hipóteses, utilizado na produção de ração animal. Nosso objetivo era transformar esse rejeito em algo de valor, com um propósito de sustentabilidade”, disse Aledo à Agência Fapesp.

Pesquisa

Para chegar ao achado, os pesquisadores conseguiram recombinar os extratos presentes no bagaço na forma de uma miniemulsão – um tipo de emulsão cujas gotículas têm escala micrométrica – e realizar testes in vitro com o objetivo de identificar marcadores de poder antioxidante e de inibição de enzimas que causam degradação do colágeno e da elastina na pele.

“Com base nisso conseguimos comprovar as rotas metabólicas de atuação e os mecanismos celulares envolvidos naqueles bioativos”, afirma o engenheiro de alimentos Philipe dos Santos, também sócio da empresa.

Os pesquisadores também analisaram a atuação dos bioativos presentes no bagaço do maracujá no combate de manchas da pele, a partir disso, eles comprovaram uma rota específica de atuação do Rejuvenate na inibição da enzima responsável pela produção de melanina. Foi ainda identificado aumento da expressão gênica de marcadores relacionados à longevidade celular.

Através de testes clínicos realizados com 16 mulheres voluntárias, foi possível comprovar algumas das propriedades do produto, como a redução de manchas, uma redução significativa no nível de rugas e aumento da hidratação facial.

Em uma pesquisa inicial, a empresa desenvolveu uma tecnologia de produção de um extrato da semente de urucum. Como ponto de partida dessa inovação, os pesquisadores se dedicaram ao aprimoramento de um processo de produção limpa dos compostos de bagaço de maracujá, que havia sido patenteado em 2011 pelos professores Julian Martínez e Juliane Viaganó, da Unicamp.

Na fase I do projeto, os pesquisadores fizeram a validação do protótipo para verificar se os extratos tinham bioatividade e se era possível ser utilizados como cosméticos. A fase II compreendeu o trabalho da padronização e elaboração dos extratos.

Utilizando exclusivamente técnicas limpas, o bagaço da fruta descartado pela indústria passa por um processamento, sendo padronizado e submetido às duas extrações que haviam sido patenteadas. Desse modo, dois extratos são obtidos, um lipídico e um aquoso. “Ambos têm bioativos de interesse: o extrato lipídico apresenta tocotrienóis, carotenoides e ácidos graxos e o extrato aquoso possui polifenóis”, explica Santos. Em seguida os extratos são emulsificados.

Por ser um resíduo, o engenheiro de alimentos aponta que há uma dificuldade muito grande na padronização. Foi nisso que os pesquisadores trabalharam na fase II do projeto, visando se aproximarem do produto final voltado ao consumidor.

“Desenvolvemos um método de padronização, removendo o que não queremos – caules, folhas, pedaços de casca – e deixamos um pouco de polpa e semente. A partir de imagens, utilizamos um algoritmo que nos permite predizer a qualidade do material e se está apto a ser utilizado no processo extrativo”, afirma.

A miniemulsão foi submetida a testes de citotoxicidade, genotoxicidade, fototoxicidade e a testes de sensibilização dérmica. Por se tratar de um ativo utilizado em uma fórmula cosmética, foi preciso também realizar inúmeros ensaios de protótipos com diferentes concentrações. O produto, então, foi testado em fórmulas de hidratantes faciais, loções de limpeza e em fórmulas utilizadas em farmácias de manipulação.

“A miniemulsão mostrou um amplo espectro de aplicação. É um produto minimalista, vegano, 100% natural e em toda a sua produção não é utilizado nenhum insumo de origem sintética. Por isso há um grande número de rotas de aplicação”, afirma Santos.

Além disso, os testes mostraram também que o produto possui piceatanol, uma molécula que é da mesma classe do resveratrol, uma substância conhecida como “molécula da longevidade”, que é amplamente aplicada em cosméticos e alimentos. De acordo com o engenheiro de alimentos, o produto pode ter aplicação também dentro de um conceito de alimentação.


Foto: Freepik


LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here