Dieta com mais frutas e vegetais melhora a saúde mental das crianças


A alimentação adequada é essencial para mantermos uma boa nutrição e a saúde do organismo. Porém, para além disso, um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, revelou que incluir mais frutas e vegetais nas refeições de crianças e adolescentes auxilia na melhora do bem-estar mental.

O estudo, conduzido pela UEA Health and Social Care Partners em colaboração com o Norfolk County Council, é o primeiro a investigar a associação entre o consumo de frutas e vegetais com saúde mental desse grupo etário.

De acordo com os pesquisadores do estudo, as estratégias de saúde pública e as políticas escolares devem ser desenvolvidas para garantir que uma nutrição de boa qualidade esteja disponível para todas as crianças antes e durante a escola, visando otimizar a saúde mental e capacitar as crianças para atingir seu pleno potencial.

O estudo envolveu 9 mil crianças, sendo 7.570 crianças do ensino médio e 1.253 crianças da escola primária, de 50 escolas da cidade de Norfolk, na Virgínia (EUA). Os pesquisadores analisaram dados das crianças participantes retirados da Pesquisa de Saúde e Bem-estar de Jovens de Norfolk.

Para chegar aos resultados, as crianças relataram aos pesquisadores suas escolhas alimentares e foram submetidas a testes de bem-estar mental apropriados para a idade, que compreendiam alegria, relaxamento e bons relacionamentos interpessoais. 

“Em termos de nutrição, descobrimos que apenas cerca de um quarto das crianças do ensino médio e 28 por cento das crianças do ensino fundamental relataram comer as frutas e vegetais recomendados cinco por dia. E pouco menos de uma em dez crianças não comia frutas ou vegetais. Mais de uma em cada cinco crianças do ensino médio e uma em cada 10 crianças do ensino fundamental não tomam café da manhã. E mais de uma em cada dez crianças do ensino médio não almoçava”, relataram os pesquisadores.

Os pesquisadores analisaram a associação entre fatores nutricionais e bem-estar mental, considerando outros fatores que podem gerar impacto – como experiências adversas na infância e determinadas situações em casa. “Descobrimos que comer bem estava associado a um melhor bem-estar mental nas crianças. E que entre as crianças do ensino médio em particular, havia uma ligação muito forte entre comer uma dieta nutritiva, repleta de frutas e vegetais, e ter um melhor bem-estar mental”, apontam.

Além disso, a pesquisa revelou que o tipo de alimentação consumida no café da manhã e no almoço pelos alunos dos ensinos fundamental e médio também estavam significativamente associados ao bem-estar.

“As crianças que tomaram um café da manhã tradicional tiveram um bem-estar melhor do que as que tomaram apenas um lanche ou uma bebida. Mas as crianças do ensino médio que tomaram bebidas energéticas no café da manhã tiveram pontuações de bem-estar mental particularmente baixas, ainda mais baixas do que as crianças que não consumiram nenhum café da manhã”.

O estudo chama a atenção para possíveis prejuízos no desenvolvimento desse grupo etário. De acordo com os pesquisadores, crianças e adolescentes que vão para a escola sem almoçar ou se alimentar adequadamente, podem ser afetadas não apenas no desempenho acadêmico, mas também no crescimento e no desenvolvimento físico.

Outro achado da pesquisa indicou que a nutrição teve impacto significativo sobre o bem-estar do que em fatores como presenciar discussões regulares ou violência em casa.

“Como um fator potencialmente modificável em um nível individual e social, a nutrição representa um importante alvo de saúde pública para estratégias para abordar o bem-estar mental infantil. As estratégias de saúde pública e as políticas escolares devem ser desenvolvidas para garantir que uma nutrição de boa qualidade esteja disponível para todas as crianças antes e durante a escola, a fim de otimizar o bem-estar mental e capacitar as crianças a atingirem seu pleno potencial”, conclui a equipe.


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Foto: Freepik

Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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