Outubro Rosa: o papel da alimentação saudável na prevenção do câncer de mama


O câncer de mama é causado por alterações genéticas nas células da glândula mamária que levam a uma multiplicação desordenada, formando assim o nódulo na mama. Esse tipo de câncer é capaz de se espalhar para outros órgãos do corpo (câncer de mama metastático), como pulmão, ossos, fígado e cérebro. 

É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo. No Brasil, ele é o segundo mais frequente, ficando atrás apenas do melanoma (câncer de pele). De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca),  para cada ano do triênio 2020-2022, são estimados 66.280 novos casos de câncer de mama entre as brasileiras, o que corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. É importante ressaltar que, apesar de ser raro, apresentando uma taxa de incidência de apenas 1% do total de casos, o câncer de mama também afeta os homens. 

Detecção precoce

Existem inúmeros tipos de câncer de mama. Segundo o Inca, alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. Na maioria dos casos, quando detectados precocemente e tratados adequadamente, apresentam bom prognóstico.

A mamografia é um exame fundamental para a detecção precoce, auxiliando na redução da mortalidade. A realização da mamografia de rotina, segundo o Inca, é indicada para as mulheres de 50 a 69 anos de idade uma vez a cada dois anos. Para mulheres com fatores de risco aumentado, o exame deve ser feito anualmente a partir dos 35 anos de idade. Em mulheres a partir dos 70 anos, a frequência deve ser indicada por um médico. 

Apesar de não ser considerada uma prática preventiva, o autoexame das mamas, que consiste na palpação dos próprios seios, ajuda a mulher a conhecer melhor o próprio corpo e, assim, conseguir identificar algum sinal de anormalidade.  Porém, não esqueça: é necessário que as mamas sejam examinadas uma vez ao ano por um profissional de saúde.

Mudar para prevenir

Apesar de a idade ser um dos principais fatores de risco para a doença, ocorrendo cerca de quatro em cada cinco casos após os 50 anos, bem como fatores genéticos, o câncer de mama pode ser prevenido com alterações no estilo de vida. O Inca aponta que cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos de vida saudáveis, como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, amamentar e evitar fumar e consumir bebidas alcoólicas.

Além disso, manter uma dieta saudável, com alimentos naturais que contêm nutrientes essenciais para o organismo, é fundamental para a prevenção e manutenção da qualidade de vida, considerando que a obesidade e o sobrepeso também estão entre os fatores comportamentais que aumentam o risco para o câncer de mama.

O Inca recomenda, na publicação Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer: Uma Perspectiva Global – Um Resumo do Terceiro Relatório de Especialistas com uma Perspectiva Brasileira, algumas mudanças nos hábitos alimentares para prevenção do câncer:

Priorizar alimentos naturais

Como base da alimentação, optar por alimentos de origem vegetal, o que inclui frutas, legumes, verduras, feijões, cereais integrais, sementes e nozes. Uma alimentação variada e rica em alimentos de origem vegetal, incluindo pelo menos cinco porções – 400 gramas – de frutas, legumes e verduras ao dia, ajuda a proteger contra o câncer.

Evitar ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, comidas congeladas, são ricos em gorduras, sódio, açúcares e substâncias sintetizadas. Por isso, o ideal é não consumir esses alimentos, visto que eles promovem o ganho de peso.

Além destes, a ingestão de carnes processadas, como presunto, salsicha, mortadela, linguiça, salame, bacon, entre outras, também deve ser evitado. Segundo o Inca, quanto maior o consumo, maior o risco. Se optar por consumir, o ideal é comer a menor quantidade possível.

Sempre que possível, realize refeições à mesa com amigos e familiares, não substitua refeições por lanches e procure cozinhar, estas são medidas que favorecem a alimentação saudável.

Consumir menos carne vermelha

Limite o consumo de carne vermelha a até 500 gramas de carne cozida, o equivalente a 750 gramas de carne crua, por semana. Além disso, priorize formas de preparo mais saudáveis, como assados, cozidos e ensopados. 

De acordo com o Inca, as carnes grelhadas, fritas ou preparadas como churrasco aumentam a produção de agentes causadores de câncer. Nesse caso, no entanto, o mais indicado é utilizar carnes frescas, com pouco tempo de armazenamento, preferir pedaços menores no preparo, marinar ou pré-cozinhar no forno convencional ou no micro-ondas.

Evitar bebidas alcoólicas 

Evite ingerir em excesso bebidas alcoólicas. Quanto maior o consumo, maior o risco para o desenvolvimento de câncer. Se beber, procure consumir quantidades mínimas.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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