Terapia de luz infravermelha pode ajudar no tratamento de doenças neurológicas, diz estudo


Uma pesquisa publicada na revista científica Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery descobriu que a luz infravermelha pode auxiliar para o tratamento de várias doenças neurológicas. Usando um capacete especialmente projetado que inclui fototerapia, conhecido como dispositivo de fotobiomodulação (photobiomodulation – PBM), pesquisadores do Reino Unido testaram o capacete em pessoas de meia-idade com deficiência cognitiva leve e descobriram que o tratamento melhorou a memória, as habilidades de processamento e a função motora. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

O tratamento com PBM geralmente utiliza luz vermelha ou infravermelha próxima para provocar uma resposta em células e tecidos. Na década de 1960, período em que os cientistas estavam usando os recém-inventados lasers, os principais usos da terapia eram a cicatrização de feridas e a redução da dor.

Porém, recentemente, fontes de luz como diodos emissores de luz (LEDs) substituíram os lasers. Através dessa mudança, a tecnologia PBM agora está disponível para uso em domicílio em dispositivos vestíveis a um custo muito mais baixo.

O PBM funciona no corpo agindo sobre as células humanas – dentro dessas células estão pequenas estruturas em forma de feijão chamadas mitocôndrias. As mitocôndrias geram a maior parte da energia de que as células precisam para desempenhar suas funções. Elas armazenam essa energia na forma de uma substância química chamada trifosfato de adenosina (ATP).

Desse modo, durante o tratamento com fotobiomodulação, partículas de luz chamadas fótons penetram no corpo e interagem com as mitocôndrias. Quando o comprimento de onda e a duração da exposição à luz estiverem adequados, os níveis de ATP aumentarão.

No momento em que uma célula é danificada, os níveis de ATP podem diminuir, prejudicando o metabolismo da célula e inibindo a cura. Por isso, aumentar o ATP em uma célula pode ajudar a função de restauração da célula. Os pesquisadores projetaram a tecnologia para uma pessoa usar em sua própria casa, com um comprimento de onda de 1.068 nanômetros.

Para a pesquisa, foram recrutados voluntários de meia-idade com comprometimento cognitivo leve na Espanha e no Reino Unido. Os pesquisadores então escolheram de forma aleatória os participantes para receber o tratamento do estudo ou um tratamento com placebo. Os grupos foram pareados por idade.

Os pesquisadores avaliaram a função motora, a memória e a velocidade de processamento dos participantes usando uma ferramenta de avaliação cognitiva computadorizada validada. Os testes ocorreram durante 3 dias para ajudar a contabilizar o efeito das mudanças diárias na função cognitiva.

Cada participante recebeu um capacete Cerebrolite, que usaram por 6 minutos, duas vezes ao dia, durante 28 dias. As reavaliações ocorreram 3 e 28 dias depois, em 3 dias separados novamente. Dos 27 participantes que completaram o estudo e as avaliações de acompanhamento, 14 estavam no grupo de tratamento e 13 estavam no grupo de placebo.

No grupo que recebeu o tratamento, os pesquisadores identificaram melhorias estatisticamente significativas nas seguintes categorias: desempenho geral; processamento matemático – memória de trabalho; memória atrasada; e função motora.

Por outro lado, o grupo de placebo apresentou uma deterioração na velocidade de processamento em comparação com a linha de base e não demonstrou melhora significativa em nenhuma das categorias.

Por se tratar de um estudo pequeno em voluntários saudáveis, os pesquisadores apontam que ainda não sabem apenas com base no trabalho se a abordagem funcionaria como uma intervenção ou se reduziria o risco de declínio cognitivo.

Por isso, eles ressaltam que o próximo passo é a realização de ensaios maiores. Com os indícios na melhora da função motora, um estudo sobre a doença de Parkinson será prioridade. “No caso de outros estudos demonstrarem um resultado semelhante que é sustentável, então há toda a possibilidade de a tecnologia se tornar o tratamento padrão”

Além disso, os pesquisadores apontam que o próximo estágio da pesquisa será expandir a pesquisa para demonstrar os efeitos em um número maior de pacientes com Alzheimer e os benefícios de longo prazo.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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