Redução de sódio nos alimentos: Opas lança novas metas para prevenir doenças cardiovasculares


A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de até 5 gramas de sal para pessoas adultas, no entanto, a ingestão de sal pela população das Américas é três vezes maior do que o recomendado, com o consumo entre 8,5 a 15 gramas por dia.

A fim de incentivar a população a manter uma alimentação mais saudável, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgou novas metas regionais para ajudar na redução do consumo de sal. O objetivo principal é reduzir o teor de sódio de produtos processados ​​e ultraprocessados frequentemente consumidos, como pão, cereais e grãos, carnes processadas, laticínios, biscoitos, salgadinhos, comidas congeladas, macarrão instantâneo, entre outros. Esses tipos de alimentos são pobres em nutrientes e com alta concentração de sódio, além de conter alta adição de açúcar, gorduras, substâncias sintetizadas e conservantes.

O consumo excessivo de sal aumenta o risco para doenças como hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardiovasculares e renais. Reduzir a ingestão desse composto contribuiu para a prevenção dessas doenças que, segundo a Opas, são as principais causas de morte na região. A Organização aponta que indicadores mostram que mais da metade das mortes por doenças cardiovasculares são atribuídas à hipertensão, condição que pode ser agravada pela ingestão excessiva de sal.

“Os países concordaram em reduzir o consumo global de sal em 30% até 2025, mas a pandemia de COVID-19 piorou a situação, criando novos desafios para a prevenção e controle de fatores de risco devido ao confinamento e mudanças significativas nos estilos de vida, incluindo um aumento no consumo de produtos não saudáveis”, afirmou em comunicado Anselm Hennis, diretor de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da Opas. Hennis ressalta que é de suma importância que os governos colaborem para atingir esse objetivo.

De acordo com a Opas, as novas metas são uma atualização mais detalhada de um primeiro conjunto desenvolvido em 2015 e apresentam “limites” máximos de sódio para 16 categorias e 75 subcategorias de produtos alimentícios a reformular.

“Se quisermos alcançar mudanças substanciais, precisamos que essas metas sejam adotadas com uma abordagem regulatória em vez de voluntária. Só assim os países conseguirão reduzir o consumo médio de sal da população até 2025, em um contexto em que as vendas de produtos processados ​​e ultraprocessados ​​com teor excessivo de sódio continuam crescendo”, disse o assessor regional de Nutrição e Atividade Física da Opas, Fabio da Silva Gomes.

Para Gomes, a atualização das metas é mais uma ferramenta para apoiar o conjunto de políticas regulatórias que vêm avançando na região para reduzir a oferta e a demanda de produtos com excesso de sódio, como as advertências frontais e a regulamentação da publicidade desses produtos.

As novas metas da Opas foram realizadas em conjunto com o Centro Colaborador da OMS sobre Política de Nutrição para a Prevenção de Doenças Crônicas, o Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade de Toronto, a Universidade Tecnológica de Ontário (ambas no Canadá) e o Grupo Técnico Consultivo sobre o prevenção de doenças cardiovasculares por meio da redução do sal na dieta de toda a população.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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