Labirintite: o que é, causas, sintomas e tratamento

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Labirintite é um termo popularmente utilizado para se referir à tontura. Em termos científicos, para indicar problemas que afetam o labirinto, a condição é denominada de labirintopatia. 

O labirinto, ou aparelho vestibular, é uma estrutura da parte interna dos ouvidos formada pela cóclea, que é responsável pela audição, e pelo vestíbulo e canais semicirculares, responsáveis pelo equilíbrio. Quando essa estrutura é afetada, o paciente apresenta o sintoma mais característico: a vertigem – um tipo de tontura que gera sensação de rotação do ambiente ou do próprio corpo e, consequentemente, a falta de equilíbrio. 

A doença, que se caracteriza por uma infecção ou inflamação no labirinto, tem como uma das principais causas de patologias do labirinto a chamada vertigem postural paroxística benigna. Segundo a médica otorrinolaringologista Bianca Hocevar, que faz parte do corpo clínico do Hospital Mãe de Deus, trata-se de uma condição em que ocorre um “deslocamento dos cristais” que ficam dentro do labirinto. 

“Para entender podemos imaginar que quando assumimos uma posição esses cristais, que são tipo uma areia, se acumulam em um cantinho do labirinto, quando mudamos a posição esses cristais também se deslocam junto. A doença acontece quando alguns destes cristais vão para o lado errado dentro do labirinto e o cérebro recebe uma informação conflitante que é traduzida de forma confusa por ele e gera essa “pane no sistema” a vertigem”, explica. 

Outras doenças, no entanto, também podem acometer o aparelho vestibular, como os distúrbios metabólicos (síndrome de Ménière), a neurite vestibular (inflamação do nervo que controla o equilíbrio) e outras. 

Fatores de risco

A médica otorrinolaringologista aponta que há diversos tipos de tontura, que derivam quase sempre da disfunção do sistema vestibular (labirinto). Porém, ela destaca que distúrbios visuais, doenças neurológicas, abuso de substâncias ou uso de medicamentos e problemas psíquicos também podem causar tonturas, sendo necessário um diagnóstico diferencial para estas condições. 

Entre os principais fatores de risco para crises de vertigem, também, podem estar níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico, que aumentam o risco de alterações dentro das artérias, reduzindo a quantidade de sangue circulando em áreas do cérebro e do labirinto. Além disso, outras condições podem causar crises, como:

  • Idade avançada;
  • Diabetes;
  • Hipotireoidismo;
  • Tumor cerebral;
  • Depressão, estresse e ansiedade;
  • Problemas vasculares;
  • Traumatismo craniano;
  • Infecções virais ou bacterianas;
  • Otites;
  • Consumo de álcool, fumo e café;
  • Uso de determinados medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios.

Obter o diagnóstico preciso das causas da labirintite é fundamental para obter o tratamento adequado, visto que ele depende da identificação do agente causador das tonturas. Porém, de acordo com Bianca, na maioria das vezes não é possível encontrar a etiologia da vertigem.   

Principais sintomas

Por afetar os sentidos de audição e equilíbrio, os sintomas mais característicos da doença são vertigem, que causa a sensação de rotação e desequilíbrio, e alterações auditivas, caracterizadas por zumbidos ou audição abafada. No entanto, também pode surgir:

  • Náusea;
  • Vômito;
  • Sudorese;
  • Distúrbios gastrointestinais;
  • Dificuldade em manter-se de pé;
  • Cefaleia.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico deve ser realizado por um médico otorrinolaringologista ou por um clínico geral.  O profissional, por meio da anamnese, informações como histórico clínico do paciente, exame clínico, bem como a solicitação de exames complementares, irá realizar o diagnóstico mais adequado da causa.

Na maioria dos casos, a labirintopatia tende a desaparecer sozinha. Porém, em determinados pacientes, é necessário o tratamento, que pode ser realizado por meio da administração de medicamentos. O tratamento tem como objetivo principal reduzir os sintomas até que a doença desapareça por completo.

“Os tratamentos variam entre tratamento medicamentoso ou manobras de reposicionamento dos cristas, que são como uma ‘fisioterapia’ realizada por médicos otorrinolaringologistas especialistas em otologia. Também outros profissionais da área da saúde capacitados, como médicos de família, geriatras, fisioterapeutas ou fonoaudiólogas”, aponta Bianca. 

Prevenção

A médica otorrinolaringologista ressalta que a alimentação pode influenciar nas crises das pessoas que têm labirintopatias metabólicas. Ela explica que a condição é causada por um distúrbio dos níveis de açúcares no sangue, por isso pacientes com labirintopatias metabólicas devem realizar uma dieta equilibrada, evitando o consumo de açúcar branco e dar preferência aos carboidratos integrais.

Realizar mudanças no estilo de vida também é uma medida importante para evitar as crises de labirintite. São elas:

  • Manter alimentação adequada e sem grandes intervalos entre as refeições;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter-se hidratado;
  • Evitar o consumo de de álcool;
  • Não fumar;
  • Controlar os níveis de triglicérides, colesterol e glicemia;
  • Evitar situações que causem crises de ansiedade e estresse.

Além disso, em uma crise de labirintite, a otorrinolaringologista diz que é fundamental que o paciente busque manter a calma, procure ficar de repouso, evite dirigir e procure atendimento médico assim que possível para melhor investigar a causa. 


Foto: Freepik


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