Implante cerebral permite que mulher cega consiga enxergar letras

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Pesquisadores na Espanha que colaboraram com cientistas do Instituto Holandês de Neurociência em Amsterdã e da Universidade de Utah em Salt Lake City criaram um implante que pode vir a se tornar um meio para aumentar a independência das pessoas cegas. Os resultados do estudo foram publicados no The Journal of Clinical Investigation. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

Ainda em estágios iniciais de desenvolvimento clínico, o implante, que usa um eletrodo para fornecer visão artificial, estimula o córtex visual do cérebro. O grupo de pesquisadores testou o experimento, e o resultado foi bem-sucedido. O estudo, que teve duração de seis meses, incluiu um único participante: uma mulher de 57 anos que ficou cega 16 anos antes do início do estudo.

Para os testes do estudo, os pesquisadores implantaram uma matriz de eletrodos de Utah (UAE) diretamente no córtex visual do cérebro da participante. O córtex visual é responsável pelo processamento da informação visual.

“Um sonho antigo dos cientistas é transferir informações diretamente para o córtex visual de indivíduos cegos, restaurando assim uma forma rudimentar de visão. No entanto, ainda não existe nenhuma prótese visual cortical clinicamente disponível”, apontaram os pesquisadores.

Após o implante do dispositivo, a participante se recuperou por algumas semanas. Antes de iniciar os testes do dispositivo, os pesquisadores trabalharam com a participante para que ela pudesse conseguir diferenciar os fosfenos espontâneos e os fosfenos que a equipe queria induzir como parte do fornecimento de visão funcional. Os fosfenos espontâneos são o que os cegos “vêem” quando surgem flashes aleatórios de luz sem que haja qualquer luz entre nos olhos.

Quando foi percebido que a participante era capaz de identificar os fosfenos induzidos com 95% de precisão, os pesquisadores começaram a treinar e a apresentar a ela desafios visuais reais. As sessões de treinamento eram realizadas 5 dias por semana, uma ou duas vezes por dia e por até 4 horas por sessão, pelo período de 6 meses. Os pesquisadores sincronizaram um par de óculos especiais com o implante para que pudessem rastrear os movimentos dos olhos da participante.

Ao longo do estudo, a participante conseguiu identificar os fosfenos num determinado espaço. Os pesquisadores então identificaram que era mais fácil para ela perceber os pontos de luz quando eles estimulavam simultaneamente mais de dois eletrodos. 

O espaçamento dos eletrodos estimulantes também melhorou os resultados em termos de reconhecimento de letras e formas. Para os pesquisadores, isso sugere que o tamanho e o aspecto do fosfeno não dependem apenas do número de eletrodos a serem estimulados, mas também da sua distribuição espacial.

Ao final do estudo, quando a participante foi estimulada simultaneamente até 16 eletrodos em padrões diferentes, ela foi capaz de identificar várias letras e até mesmo dizer a diferença entre algumas letras maiúsculas e minúsculas.

Os pesquisadores ressaltam que o objetivo do implante não é recuperar a visão total, mas fornecer um certo grau de visão funcional, que permita maior autonomia para as pessoas cegas.


Foto: Freepik


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