Nova onda de Covid-19 na Europa e na Ásia serve de alerta para o Brasil, diz Fiocruz


O novo Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última sexta-feira (12), alerta para o risco no aumento de casos da doença com a proximidade da temporada de festas de final de ano e de férias, em que há maior circulação e concentração de pessoas em diversos ambientes.

Diante do quadro recente da pandemia na Europa e na Ásia Central, que vem registrando aumento de casos e óbitos mesmo em locais em que a cobertura vacinal já se encontra em patamares elevados, o Boletim chama a atenção sobre a necessidade de manutenção das medidas de distanciamento físico e de proteção individual no Brasil. Além disso, o documento ressalta a desaceleração do ritmo de vacinação de primeira dose contra a Covid-19 no país.

Os pesquisadores da Fiocruz apontam que o sucesso na mitigação da pandemia requer o aumento da cobertura vacinal, mas isso não exclui as demais estratégias – como manter o distanciamento social, evitar locais com aglomerações e usar máscaras de proteção facial. Com a vacinação e a queda nos números de casos, eles questionam algumas medidas de abandono adotadas por alguns estados e por parte da sociedade, especialmente a liberação do uso das máscaras e o relaxamento da recomendação de distanciamento físico. 

“Isto se dá não só pela baixa adesão da população, mas, especialmente, pela falta de incentivo da gestão governamental para sua adoção”, destacam os autores do boletim. De acordo com o documento, é fundamental alcançar o patamar de 80% de cobertura vacinal completa da população total – que hoje é de 55%, ainda distante do patamar considerado ideal. 

Cobertura vacinal 

Apesar de o Brasil ter alcançado 70% de cobertura vacinal na população adulta, a análise aponta que este não é o indicador mais adequado para a avaliação, visto que a população de adolescentes é um dos grupos com maior intensidade de circulação nas ruas. 

“Por isso, é equivocado pensar que, apenas com a população adulta vacinada adequadamente, é possível a retomada irrestrita de hábitos que resultam na aglomeração de pessoas”, ressaltam os autores no documento.

Ainda que o avanço da cobertura vacinal no país venha trazendo benefícios inegáveis para a mitigação da pandemia, os pesquisadores da Fiocruz salientam que a medida não pode ser tratada como o único recurso necessário para interromper a transmissão do vírus entre a população. 

“O relaxamento do distanciamento físico é inevitável agora, mas ele deve ser feito de forma responsável e segura. A recomendação é de que, enquanto caminhamos para um patamar ideal de cobertura vacinal, medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas. E que atividades que impliquem na maior concentração e aglomeração de pessoas só sejam realizadas com comprovante de vacinação”. 

Nova onda na Europa e Ásia

O boletim traz o alerta do diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para a Europa e Ásia sobre o novo aumento do número de casos e óbitos por Covid-19 registrados nesses continentes. A OMS aponta que países dessas regiões estão vivendo o risco de um novo agravamento da Covid-19. 

Na última semana de outubro, a Europa e a Ásia Central foram responsáveis por 59% de todos os casos e 48% dos óbitos registrados no mundo inteiro. Com quase 1,8 milhão de novos casos e 24 mil novos óbitos registrados, a Europa e a Ásia Central viram um aumento de 6% e 12%, respectivamente, em comparação com a semana anterior. 

Segundo a OMS, se for mantida esta tendência, essas regiões poderão registrar mais meio milhão de óbitos por Covid-19 até  1º de fevereiro de 2022, e 43 países enfrentarão novamente o risco de colapso nas capacidades de resposta dos seus sistemas de saúde. Os casos graves da doença têm se concentrado entre grupos não vacinados, especialmente em países com baixa cobertura vacinal.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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