Reativar memórias durante o sono influencia o desenvolvimento de habilidades motoras, diz pesquisa


A reativação de memórias durante o sono é capaz de melhorar habilidades motoras, o que pode contribuir na reabilitação de pacientes acometidos por Acidente Vascular Cerebral (AVC). As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, publicado no Journal of Neuroscience.

Para chegar aos resultados, testes foram realizados com indivíduos saudáveis, que compreendiam o aprendizado de novas ações com músculos específicos do braço, nas quais eles tinham que aprender a contrair músculos individuais e pares de músculos. Para isso, os cientistas utilizaram um dispositivo de treinamento conduzido por videogame, chamado interface de computador mioelétrica (MyoCI), que auxilia no aprendizado de novos 16 movimentos musculares. Cada novo movimento acompanhava um som diferente.

Segundo os pesquisadores, o MyoCI foi inventado como um tratamento para pessoas com problemas de movimento do braço após um derrame. Eles explicam que, nesse cenário, os indivíduos com derrame devem aprender a isolar os músculos do braço para recuperar a capacidade de realizar tarefas como estender o braço para frente com o cotovelo reto. 

Após o treinamento com o dispositivo, os participantes foram submetidos a uma segunda etapa do estudo. Os pesquisadores influenciaram o cérebro dos participantes em um estágio de sono leve com sons associados a um subconjunto dos novos movimentos musculares experimentados anteriormente. Ao alcançarem a fase do sono não-REM, sem movimento rápido dos olhos, que é a fase que compreende o sono profundo, os cientistas apresentaram oito dos 16 sons em volume baixo, um a cada cinco segundos. 

Ao realizarem os testes novamente acordados, a execução dos oito movimentos foi mais rápida e eficiente em comparação com as execuções que não haviam sido estimuladas durante o sono leve. 

Demais estudos já foram realizados com a técnica de reativação da memória para diferentes tipos de aprendizagem, no entanto, os cientistas apontam que nenhum dos estudos anteriores se concentrou em uma tarefa de aprender novas ações. 

As conclusões do estudo realizado pela Universidade de Northwestern, segundo os autores, pode ser capaz de contribuir para a melhora dos processos de neuroreabilitação.

“Este é um método poderoso para compreender o sono porque alteramos sistematicamente o que acontece durante o ele. As descobertas sugerem que esta estimulação baseada no sono pode potencialmente acelerar a reabilitação física em sobreviventes de derrame, bem como qualquer distúrbio neurológico que precise de reabilitação motora”, destacaram os pesquisadores em comunicado à imprensa.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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