Vacina nasal contra Alzheimer começa a ser testada em humanos


O número de pessoas com demência cresce a cada ano. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de 55 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, com uma ocorrência de 10 milhões de novos casos anualmente. A doença de Alzheimer, segundo a OMS, é a forma mais prevalente de demência, contribuindo com aproximadamente 70% dos casos. 

A doença de Alzheimer, caracterizada pela degeneração de partes do cérebro que desempenham um papel importante na memória e na linguagem, ainda não tem cura.  Há décadas a doença move a ciência na busca por tratamentos mais eficazes e pela cura.  

Agora, um novo estudo de uma vacina nasal para a doença de Alzheimer será realizado por cientistas do Brigham and Women’s Hospital, instituição afiliada à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A vacina tem como objetivo prevenir e retardar a progressão da doença. 

O ensaio clínico de Fase I visa testar a segurança e a tolerabilidade da vacina em humanos. Se os resultados forem promissores, demais estudos serão realizados para testar sua eficácia. Os pesquisadores apontam que, se a vacina nasal apresentar resultados satisfatórios, ela pode representar um tratamento não tóxico para pessoas com Alzheimer, e pode ser aplicada no início para ajudar a prevenir a doença em pessoas de risco.

“O lançamento do primeiro teste humano de uma vacina nasal para Alzheimer é um marco notável”, destacou Howard Weiner, codiretor do Centro Ann Romney para Doenças Neurológicas do Brigham, que há quase 20 anos lidera pesquisas sobre a doença.

Anteriormente, os autores do estudo realizaram testes em camundongos, que demonstraram que a vacina foi capaz de prevenir e tratar a doença nos animais. 

Como funciona a vacina

A vacina é formada por um adjuvante Protollin, composto por proteínas derivadas de bactérias, que estimula o sistema imunológico. Segundo os cientistas, o Protollin tem sido usado com segurança em humanos como um adjuvante para outras vacinas, por isso apresenta segurança. 

“O Protollin é projetado para ativar os glóbulos brancos encontrados nos gânglios linfáticos nas laterais e na nuca para migrar para o cérebro e desencadear a eliminação das placas beta-amilóides – uma das principais causas dos sintomas de Alzheimer”, apontam os pesquisadores.

O ensaio clínico envolverá 16 participantes com idades entre 60 e 85 anos, que foram diagnosticados com a doença de Alzheimer precoce e sintomática.  Os pesquisadores explicam que os participantes devem estar em bom estado geral de saúde, sem expectativa de que nenhuma doença interfira no estudo e ter feito uma PET (Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons) com resultado positivo para amiloide. Eles receberão duas doses da vacina nasal com uma semana de intervalo.

O foco principal do ensaio clínico de Fase I será determinar a segurança e tolerabilidade da vacina nasal. Além disso, a equipe de pesquisa comenta que também visa medir o efeito do Protollin nasal na resposta imunológica dos participantes, incluindo seus efeitos nos glóbulos brancos, examinando marcadores de superfície celular, perfis de genes e ensaios funcionais.

“O sistema imunológico desempenha um papel muito importante em todas as doenças neurológicas. E é empolgante que, após 20 anos de trabalho pré-clínico, possamos finalmente dar um passo importante em direção à tradução clínica e conduzir este primeiro teste em humanos”, disse Weiner. 

“A pesquisa nesta área abriu o caminho para que possamos buscar um caminho totalmente novo para o tratamento potencial não só da doença de Alzheimer, mas também de outras doenças neurodegenerativas”, concluiu a equipe.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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