Estudo indica que beber café pode reduzir o risco de desenvolver Alzheimer

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O Alzheimer é uma doença que ainda não tem cura, embora existam tratamentos e mudanças no estilo de vida que possam retardar sua progressão. A doença é um desafio para a ciência, que há décadas segue estudando formas mais efetivas de diagnóstico e tratamento. 

Um novo estudo realizado por pesquisadores australianos da Universidade Edith Cowan descobriu evidências que sugerem que a maior ingestão de café pode estar associada a uma taxa mais lenta de declínio cognitivo. Estudos anteriores sugeriram que o café pode reduzir a incidência de distúrbios cognitivos, no entanto, os autores deste novo estudo decidiram explorar isso mais a fundo.

Para os autores do estudo,  se pesquisas adicionais confirmarem essa ligação da ingestão de café, a bebida poderia um dia ser recomendada como um fator de estilo de vida com o objetivo de retardar o início da doença.

O estudo

A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Aging Neuroscience, envolveu 227 adultos com 60 anos ou mais, que não apresentavam declínio cognitivo no início do estudo, que foram acompanhados por mais de uma década. 

Para as análises, os pesquisadores utilizaram um questionário para coletar informações dos participantes sobre a quantidade e a frequência do café que consumiam. Eles então realizaram avaliações cognitivas usando uma seleção de medidas psicológicas no início do estudo e em intervalo de um ano e meio. 

As avaliações compreenderam seis áreas cognitivas: memória de evocação episódica, memória de reconhecimento, função executiva, linguagem, atenção e velocidade de processamento e o Composto Cognitivo Pré-clínico de Alzheimer (PACC, na sigla em inglês). O PACC consiste em uma pontuação composta, combinando testes de memória, função executiva e cognição. 

Além do mais, um subconjunto de 60 participantes passou por varreduras cerebrais PET (Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons) para avaliar o acúmulo de beta-amilóide no cérebro. Um outro subconjunto de 51 participantes fez exames de ressonância magnética para avaliar a atrofia do volume cerebral.

A análise dos dados apresentados indicou que o consumo habitual de café estava positivamente associado às áreas cognitivas das funções executivas, atenção e pontuação PACC. De acordo com os autores, beber grandes quantidades de café foi associado a um declínio cognitivo mais lento nessas áreas ao longo do estudo, além de haver um maior consumo de café na linha de base que também foi associado a um acúmulo mais lento de proteína amilóide ao longo das mais de uma década do estudo. Os pesquisadores indicaram que não foi encontrada uma ligação entre a ingestão de café e a atrofia do volume cerebral neste estudo.

Desse modo, os resultados observados pela equipe sugerem que aumentar a ingestão de café de uma para duas xícaras por dia pode trazer benefícios, reduzindo potencialmente o declínio cognitivo em até 8% após um ano e meio. Também pode haver uma redução de até 5% no acúmulo de beta-amilóide cerebral no mesmo período.

Os pesquisadores afirmam que o estudo possui limitações e destacam que mais pesquisas observacionais e de intervenção de longo prazo são necessárias para confirmar esses achados.


Foto: Freepik


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