Medicamento da Unicamp apresenta resultados promissores no combate ao câncer de bexiga

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um imunoterápico que tem se mostrado promissor no tratamento do câncer de bexiga. O medicamento, que foi patenteado recentemente nos Estados Unidos, apresentou alto potencial na eliminação e redução de tumores localizados na bexiga. 

No tratamento experimental, que envolveu 44 pacientes com um quadro avançado da doença, o fármaco eliminou o tumor em 77,3% dos participantes e, nos demais casos, a doença voltou com menor intensidade. Os voluntários têm sido acompanhados já há dois anos e, até agora, nenhum veio a óbito ou precisou retirar a bexiga. A investigação conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Trata-se de um imunoterápico totalmente desenvolvido em uma universidade pública brasileira e cuja patente é 100% de seus inventores – algo disruptivo e inédito no país. Isso abre a possibilidade de negociação com grandes companhias farmacêuticas, que poderão nos ajudar a colocar o produto no mercado”, disse à Agência Fapesp Wagner José Fávaro, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e inventor do fármaco ao lado de Nelson Duran, seu colega de departamento.

Para levar adiante as fases finais de desenvolvimento do fármaco, os pesquisadores criaram a startup Nanoimmunotherapy Pharma Ltda. (NImm-Pharma) e, com o apoio da Agência de Inovação (Inova) da Unicamp, esperam em breve obter a patente do “OncoTherad” também na Europa.

O imunoterápico começou a ser desenvolvido há cerca de 13 anos com o objetivo de estimular o sistema imune a combater doenças infecciosas e tumores. Ele é composto por uma nanopartícula totalmente sintética, que induz no organismo uma resposta imune de células T, ou seja, ativa determinados tipos de linfócitos que produzem uma proteína chamada interferon (IFN), importante tanto para combater o câncer como também alguns vírus e bactérias. 

Ensaio clínico

O ensaio clínico iniciou em 2018 no Hospital Municipal de Paulínia, município próximo a Campinas, e foi acompanhado pelo médico urologista João Carlos Cardoso Alonso. Inicialmente foram recrutados 58 voluntários, mas somente 44, sendo 30 homens e 14 mulheres, atendiam a todos os critérios de inclusão na pesquisa.

Durante seis semanas, os voluntários foram submetidos a aplicações semanais de OncoTherad dentro da bexiga e por via intramuscular, que consiste na aplicação nos glúteos. Nos seis meses seguintes, as aplicações passaram a ser feitas a cada 15 dias. Após esse período, foram feitas aplicações mensais até completar dois anos de tratamento. A cada três meses os pacientes passavam por exames para monitorar a evolução do câncer.

Ao final do primeiro período de seguimento, que durou 18 meses, 77,3% dos voluntários ainda se mantinham sem indícios da doença. Em dez pacientes o tumor voltou com um grau mais baixo que o observado antes do ensaio clínico, com as lesões sendo removidas por raspagem. Já em outros dois participantes o tumor voltou após os 18 primeiros meses, mas também de forma reduzida. Os pesquisadores apontam que nenhum paciente precisou remover a bexiga até o momento.

Entre os efeitos colaterais relatados pelos pacientes estão cistite (inflamação na bexiga), ardência ao urinar, dores nas articulações, coceiras no corpo e pele avermelhada, febre baixa e dor abdominal. “Foram sintomas leves, que conseguimos contornar com uma dose baixa de corticoide. Nenhum voluntário precisou abandonar o tratamento por conta de efeitos colaterais”, afirma Fávaro.

O pesquisador conta que as próximas etapas de desenvolvimento do fármaco dependem de uma interlocução com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a indústria farmacêutica.

“Os ensaios clínicos multicêntricos de fases 2 e 3 – necessários para que o medicamento chegue ao mercado – requerem uma estrutura fabril com certificações da Anvisa. A obtenção da patente nos Estados Unidos deve nos ajudar nesse processo de interlocução com os órgãos reguladores”, avalia.


Foto: Freepik


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