Estudo revela que prática de exercício físico é ainda mais benéfica em pacientes com doenças cardiovasculares

0
49

Um estudo publicado na revista científica PLOS Medicine revelou que pacientes com doenças cardiovasculares (DCV) podem obter inúmeros benefícios para a saúde quando realizam atividade física moderada a vigorosa.  Entre pessoas saudáveis, no entanto, a prática chega ao ponto em que aumentar o nível de exercício físico não traz benefícios adicionais à saúde.

O estudo, conduzido por pesquisadores na Holanda, foi realizado com 142.493 participantes. O objetivo principal da pesquisa era descobrir se o estado de saúde cardiovascular das pessoas afetava o benefício geral da atividade física. Isto é, a equipe de pesquisadores queriam saber se a atividade física é útil para todos no mesmo nível ou ajuda mais aqueles que já têm doenças cardiovasculares.

Além disso, a equipe também queria descobrir se o motivo da atividade física afetava os benefícios. Ou seja, se as pessoas que precisam ser fisicamente ativas para trabalhar estão obtendo os mesmos benefícios que aquelas que são fisicamente ativas em seu tempo de lazer.

Considerando os inúmeros fatores de risco para doenças cardiovasculares que incluem muitos transtornos, os pesquisadores tiveram que definir seus termos com cautela.

Desse modo, eles analisaram três grandes grupos de pessoas e usaram as seguintes definições:

  • Pessoas saudáveis: os participantes tinham todos os fatores de risco cardiovascular dentro da faixa normal e não relataram nenhuma doença cardiovascular conhecida.
  • Pessoas com pelo menos um fator de risco de DCV: os participantes tinham hipertensão, colesterol alto e/ou diabetes autorreferidos, além de usarem medicamentos para controlar os respectivos fatores de risco, ou tinham níveis elevados de colesterol ou açúcar no sangue confirmados e não relatados CVD.
  • Pessoas com doença cardiovascular: esses pacientes tinham histórico de insuficiência cardíaca, ataque cardíaco ou derrame e usavam medicamentos para essas condições.

Os participantes preencheram um questionário de linha de base e foram submetidos a realizar um exame físico. O questionário incluiu informações sobre estilo de vida, histórico de saúde e dieta. Os pesquisadores coletaram dados de linhas de base de cada participante e os acompanharam em média 6 a 8 anos depois da coleta dos dados.

Os participantes ainda foram questionados sobre seus níveis de atividade física. Com essa informação, a equipe determinou a quantidade de exercício de cada participante que se encaixa na definição do estudo de moderado a vigoroso.

Os níveis de atividade física foram divididos em três categorias:

  1. A atividade física de lazer foi toda a atividade física moderada a vigorosa que os participantes fizeram durante seu tempo de lazer.
  2. Atividade física sem lazer foi toda atividade física moderada a vigorosa que as pessoas não praticavam em seu tempo de lazer, como durante o trabalho ou afazeres domésticos.
  3. A atividade física ocupacional era toda a atividade física moderada a vigorosa que os participantes faziam em relação ao trabalho. Esta era uma subcategoria de atividade física não recreativa.

Após a coleta de todos os dados, os autores do estudo examinaram a relação entre atividade física moderada a vigorosa, todas as causas de morte e eventos cardiovasculares adversos importantes. Eles incluíram ataques cardíacos, derrames, insuficiência cardíaca crônica e aguda e quaisquer cirurgias importantes relacionadas ao coração ou ao tórax, como transplantes cardíacos e cirurgias de ponte de safena, em sua análise de eventos cardiovasculares adversos importantes.

A equipe descobriu que, de modo geral, a atividade física moderada a vigorosa tem ligações para reduzir a mortalidade por todas as causas e eventos cardiovasculares adversos importantes. Porém, também foi identificado que era mais benéfico para o grupo de participantes que já tinham doença cardiovascular.

O estudo também indicou que a atividade física moderada a vigorosa que os participantes praticavam em seu tempo de lazer estava associada ao maior nível de benefícios à saúde. Por outro lado, a atividade física moderada a vigorosa sem lazer foi associada a alguns benefícios à saúde, e a atividade física ocupacional moderada a vigorosa foi associada a nenhum benefício.

De modo geral, os pesquisadores concluíram que as recomendações de atividade física devem considerar o estado de saúde cardiovascular e a natureza da atividade física – lazer versus não lazer.

No entanto, os pesquisadores apontaram que o estudo possui algumas limitações, e que pesquisas adicionais incluíram a análise de como implementar os melhores planos de exercícios para pessoas com doenças cardiovasculares.


Foto: Freepik


LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here