Estudo abre caminho para novos tratamentos contra tipo agressivo de câncer de mama

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Um estudo publicado na revista científica eLife apresentou resultados promissores no tratamento para o câncer de mama. Realizada com células de camundongos, a pesquisa aponta um caminho para novas linhas de estudo com foco no tratamento do câncer de mama triplo-negativo (TNBC, na sigla em inglês). 

O TNBC é considerado um tumor agressivo, geralmente com tamanho maior no início, e de rápido crescimento. Ele apresenta  alta probabilidade de metástase e de recidiva após o tratamento. Esse tipo de câncer compreende entre 10% e 20% dos registros de câncer de mama.

Para chegar aos resultados do estudo, um grupo de pesquisadores liderados pela bioquímica Renata Pasqualini e pelo cientista e oncologista Wadih Arap identificou um pequeno conjunto de aminoácidos, mais precisamente um peptídeo com a sequência CSSTRESAC, capaz de se ligar a um receptor alternativo para a vitamina D. Chamado de PDIA3, esse receptor é encontrado na membrana de macrófagos, importantes células de defesa do organismo, que se infiltram nos tumores de mama triplo-negativo e causam imunossupressão.

A pesquisa aponta que a administração sistêmica de CSSTRESAC levou à elevada expressão de citocinas antitumorais e à modulação da resposta celular. Em conjunto, esses dois fatores ativaram a resposta imune e reduziram o crescimento dos tumores nos camundongos. 

Apesar de as conclusões ainda serem baseadas em modelos experimentais em camundongos, Pasqualini afirma que os dados são animadores. “Ainda há um caminho a percorrer até chegar aos ensaios clínicos de fase 1 em pacientes humanos. No entanto, os resultados publicados são promissores, justificando o avanço dessa linha de pesquisa visando ao desenvolvimento de estudos de tradução clínica na próxima fase”, disse a pesquisadora à Agência Fapesp.

Pasqualini, juntamente com Arap, coordena atualmente um laboratório na Universidade Rutgers, em Nova Jersey (Estados Unidos). Neste trabalho, um terço dos coautores é brasileiro, incluindo a primeira autora, Fernanda Iamassaki Staquicini.

O estudo

Na pesquisa realizada em modelos experimentais em camundongos, os pesquisadores aplicaram a tecnologia de exibição de fago in vivo para isolar peptídeos encontrados no tumor como uma estratégia para descobrir alvos não malignos. Essa técnica captura proteínas ou frações delas que interagem com moléculas-alvo.

Eles identificaram, assim, o peptídeo cíclico (CSSTRESAC) que se liga especificamente ao receptor de vitamina D, a proteína dissulfeto-isomerase A3 (PDIA3), expressa na superfície dos macrófagos associados ao tumor.

“A administração sistêmica de CSSTRESAC em camundongos com TNBC mudou o perfil de citocinas em direção a uma resposta imune antitumoral e retardou o crescimento do tumor. Além disso, o CSSTRESAC permitiu a entrega teranóstica direcionada ao ligante para tumores. Um modelo matemático confirmou nossos achados experimentais”, concluem os cientistas no artigo.

Os autores do estudo explicam que o teranóstico é um novo conceito que vem sendo usado na medicina nuclear para tratamento de câncer e transforma, simultaneamente, em ferramenta para diagnóstico e para tratamento os radiofármacos usados diretamente em tumores.

“Nosso próximo objetivo é avaliar a integração dessa estratégia com outras terapias já aprovadas e em uso para o tratamento do câncer de mama triplo-negativo. A radioterapia, por exemplo, é efetiva a curto prazo, mas ainda frustra porque ocorre com frequência a recidiva dos tumores localmente ou em metástases em outros órgãos. Nesse sentido, a combinação da radioterapia com o nosso peptídeo tem chance de melhorar o prognóstico das pacientes com o controle local do tumor”, esclarece Staquicini.


Foto: Freepik


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