Exposição solar pode reduzir risco de esclerose múltipla em crianças

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A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica, crônica  e autoimune em que o as células de defesa do organismo (sistema imunológico) atacam a bainha de mielina – uma estrutura protetora de tecido adiposo que reveste os neurônios. A destruição dessa capa protetora causa lesões cerebrais e medulares,  o que leva o paciente a desenvolver problemas de comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que cerca de 40 mil brasileiros são acometidos pela doença.

Ainda não foi descoberta a causa exata da esclerose múltipla, no entanto, existem alguns fatores de risco que podem contribuir para surgimento da doença, como ter histórico familiar da doença, ter entre 20 e 40 anos de idade, ter infecção por vírus como o Epstein-barr, além de algumas doenças como da tireoide, anemia, diabetes tipo 1. Mulheres também estão mais propensas a desenvolver esclerose múltipla.

A doença, que é alvo de pesquisas constantes, recentemente teve um novo estudo publicado na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia. O trabalho revelou que pode haver uma possível associação entre o tempo exposto ao ar livre e um risco menor de desenvolver esclerose múltipla em crianças. Além disso, o estudo também sugere que indivíduos que tiveram mais exposição ao sol durante o primeiro ano de vida têm menor chance de desenvolver a doença.

Os pesquisadores entendem que as causas da EM de início na idade adulta incluem a associação de uma série de fatores, incluindo predisposição genética, baixa exposição ao sol e aos raios ultravioletas, bem como baixas concentrações de vitamina D.

Estudos anteriores já foram realizados  relacionando a esclerose múltipla à exposição ao sol e aos raios ultravioleta, mas envolvendo somente pessoas adultas com esclerose múltipla. Agora, o novo estudo se concentra em crianças, adolescentes e adultos jovens com idades entre 4 e 22 anos.

A pesquisa

Os pesquisadores recrutaram participantes de 16 hospitais pediátricos nos Estados Unidos. Eles incluíram voluntários que receberam um diagnóstico de MS antes dos 18 anos. Cerca de 330 pessoas preencheram esses critérios.

Para realizar a pesquisa, os pesquisadores recrutaram cerca de 530 participantes de controle, isto é, pessoas que não tinham história pessoal de doença autoimune, nenhuma condição de saúde grave e nenhuma história parental de esclerose múltipla. Eles foram combinados de acordo com a idade e sexo com os demais participantes com esclerose múltipla. 

Todos os participantes do estudo, ou seus responsáveis, ​​responderam a um questionário com informações como idade, sexo, raça e histórico médico. Os pesquisadores mediram a exposição ao sol como o tempo passado ao ar livre em diferentes idades e no verão, além do uso de proteção solar, como chapéus, roupas e protetor solar.

Com base no respectivo local de nascimento e residência no momento do estudo dos participantes, os autores mediram a quantidade de exposição à luz ultravioleta para cada participante. Amostras de sangue também foram coletadas de todos os participantes.

Resultados

Ajustes aos fatores que podem afetar o risco de EM, como a exposição à fumaça e sexo dos participantes, também foram realizados. Após a análise dos dados, os resultados indicaram que os participantes que diariamente gastavam uma média de 30 minutos a uma hora fora no verão antes do estudo tinham um risco 50% menor de desenvolver esclerose múltipla.

Quando o tempo gasto ao ar livre foi em média entre 1 e 2 horas diárias, o risco de MS foi 81% menor. Os dados também revelaram que uma maior exposição ao ar livre no primeiro ano de vida teve associações com um menor risco de desenvolver a doença.

Os pesquisadores ainda apontam outra variável associada ao risco de esclerose múltipla: a intensidade da exposição solar. Eles explicam que observaram que alguém que vive na Flórida, por exemplo, tem um risco 21% menor de desenvolver a doença do que alguém que vive em Nova York. Ainda que o estudo não prove que a exposição ao sol previne a esclerose múltipla, ele mostra que há uma associação.

Os pesquisadores sugerem que mais informações para determinar o papel exato da luz solar no desenvolvimento da esclerose múltipla são necessárias. No entanto, eles ressaltam que os resultados apresentados na pesquisa ajudam a aumentar a conscientização sobre a importância de as crianças passarem mais tempo ao ar livre. Além disso, eles observam que mais estudos são necessários para avaliar o papel da vitamina D no início e progressão da esclerose múltipla pediátrica.


Foto: Freepik


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