Deficiência de vitamina D pode aumentar risco de doenças cardiovasculares, diz estudo

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte em todo o mundo. E essa condição pode ter inúmeros fatores como causa, como tabagismo, diabetes, hipertensão e obesidade. 

Recentemente, um estudo publicado na revista científica European Heart Journal descobriu um fator adicional que pode aumentar a probabilidade de uma pessoa ter doenças cardiovasculares. Realizado por pesquisadores da University of South Australia Cancer Research Institute, o estudo encontrou evidências de que a deficiência de vitamina D pode aumentar a pressão arterial e o risco de DCV.

O principal objetivo do estudo foi investigar se há uma relação entre a 25-hidroxivitamina D sérica, ou 25 (OH) D, e o risco de desenvolver doença cardiovascular. Os níveis séricos de 25 (OH) D são um marcador estabelecido de concentração de vitamina D. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

A pesquisa

Para testar a hipótese, os pesquisadores utilizaram um método analítico específico para analisar dados do UK Biobank, um grande estudo de coorte prospectivo da população do Reino Unido com idades entre 37 a 73 anos.

Os participantes foram recrutados em 22 centros de avaliação em todo o Reino Unido entre março de 2006 e outubro de 2009. Eles foram submetidos a preencher questionários fornecendo informações abrangentes sobre saúde e estilo de vida no início do estudo, além de fornecerem amostras de sangue para biomarcadores e ensaios genéticos. As informações foram coletadas de até 295.788 participantes.

Os pesquisadores limitaram as análises de dados a indivíduos não aparentados que foram identificados como brancos britânicos com base em autorrelato e perfil genético. Além disso, a equipe excluiu participantes com informações incompatíveis entre sexo autorrelatado e sexo genético.

Após a filtragem,os cientistas conduziram ensaios genéticos entre indivíduos com informações completas sobre as concentrações de 25 (OH) D. Além do mais, como medida de segurança, eles também coletaram variáveis, incluindo idade, sexo e tempo de coleta da amostra, que poderiam afetar as medições de 25 (OH) D sérica.

Resultados

Para chegar aos resultados conclusivos, a equipe comparou os resultados com os de um grupo de controle sem diagnóstico de DCV. Os pesquisadores ainda realizaram uma análise secundária para examinar a associação dos níveis de concentração de 25 (OH) D com a pressão arterial. Eles apontam que o nível médio de concentração de 25 (OH) D entre os 267.980 participantes finais ​​foi de 50 nanomoles por litro (nmol/l).

Além disso, foi observado que:

  • 11,4% (32.868) dos participantes tiveram concentrações abaixo de 25 nmol/l
  • 41,3% (119.243) dos participantes tiveram concentrações entre 25 e 49,9 nmol/l
  • 35,3% (101.848) dos participantes tiveram concentrações entre 50 e 74,9 nmol/l
  • 10,5% (30.314) dos participantes tiveram concentrações entre 75 e 99,9 nmol/l
  • 1,4% (4.110) dos participantes tiveram concentrações entre 100 e 124,9 nmol/l

Menos de 0,1% dos participantes tinham níveis de concentração de 25 (OH) D superiores a 125 nmol/l.

Segundo os pesquisadores, uma análise posterior revelou que os indivíduos com 25 (OH) D sérico a 25 nmol/l tinham risco 11% maior de ter doenças cardiovasculares do que aqueles com concentrações de 50 nmol/l.

No entanto, eles apontam que parece haver uma redução na probabilidade de ocorrência de doenças cardiovasculares com valores de concentração mais elevados. Isto é, os participantes com concentrações de 75 nmol/l tiveram 2% menos chances de DCV quando comparados com aqueles com 50 nmol/l.

De acordo com a equipe, esse fenômeno é denominado de associação não linear, em que uma mudança no valor de uma entidade nem sempre corresponde a uma mudança constante no valor da outra entidade.

Foram observadas associações não lineares semelhantes na relação entre as concentrações de 25 (OH) D e os níveis de pressão arterial dos participantes envolvidos no estudo. A 25 nmol/l, houve um aumento perceptível nos valores da pressão arterial em comparação com 50 nmol/l.

Os achados da pesquisa levaram os cientistas a concluir que a deficiência de vitamina D pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Apesar de o estudo conter limitações, como a análise ter sido realizada somente com participantes de ascendência britânica branca, não deixando claro se os resultados do estudo são aplicáveis ​​a outros grupos étnicos, os pesquisadores apontam que os resultados podem levar a novas possibilidades no manejo e diagnóstico das doenças cardiovasculares.


Foto: Freepik


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