Covid-19: Fiocruz pede atenção à oferta de leitos devido ao avanço da Ômicron no país

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O Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz  (Fiocruz), devido à falta de acesso à base de dados sobre óbitos e casos da doença no país, voltou suas análises às taxas de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) destinados à Covid-19.

De acordo com a Fundação, o momento atual, que conta com a circulação e crescimento rápido de casos devido à variante Ômicron logo após as festas de fim de ano e maior circulação de pessoas, desenha um novo cenário epidemiológico.

Os pesquisadores da Fiocruz destacam a necessidade de acesso, transparência e divulgação das bases de dados e informações para produção de evidências que permitam indicar o isolamento de pessoas infectadas, restringir contatos, bem como apontar tendências da pandemia, por meio de alertas precoces. 

“O  enfrentamento de uma pandemia sem os dados básicos e fundamentais pode ser comparado a dirigir um carro em um nevoeiro, com pouca visibilidade e sem saber o que se pode encontrar adiante. Além disso, vai na contramão de outros países, que passaram a produzir e disponibilizar dados de modo público e transparente para melhor compreender e enfrentar a dinâmica da Covid-19”, ressaltam.

A análise do Boletim ainda observa que, além do aumento de casos da nova variante, o país apresenta um cenário de epidemia de influenza pelo vírus H3N2. “Elementos como maior circulação de pessoas e eventos com aglomeração nas festas de fim de ano contribuem para impactar negativamente a dinâmica da pandemia e nossa capacidade de enfrentamento, com impactos sobre a saúde da população e o sistema de saúde”, apontam os pesquisadores.

Leitos de UTI

De acordo com a Fiocruz, em comparação aos registros do último dia 20 de dezembro de 2021, os dados relativos a 5 de janeiro de 2022 mostram aumentos significativos no número de pacientes internados nos leitos de UTI. Entre os estados brasileiros, quatro estão na zona de alerta intermediário: Pará (67%), Tocantins (62%), Pernambuco (79%) e Alagoas (68%). Por outro lado, 21 estados e o Distrito Federal encontram-se fora da zona de alerta.

Entre as capitais, três estão na zona de alerta crítico: Fortaleza (85%), Maceió (85%) e Goiânia (97%). Já outras três estão na zona de alerta intermediário: Palmas (66%), Salvador (62%) e Belo Horizonte (73%). 

As demais, com taxas divulgadas, estão fora da zona de alerta, sendo Porto Velho (44%), Rio Branco (10%), Manaus (34%), Macapá (40%), São Luís (30%), Natal (34%), João Pessoa (32%), Vitória (56%), Rio de Janeiro (2%), São Paulo (35%), Curitiba (46%), Florianópolis (42%), Porto Alegre (57%), Campo Grande (47%), Cuiabá (36%) e Brasília (57%).

“As taxas observadas não são comparáveis àquelas verificadas no pior momento da pandemia, há quase um ano, considerando a redução no número de leitos destinados à Covid-19. Ainda é precoce, desta forma, afirmar que há uma nova pressão sobre os leitos de UTI, baseado apenas nos dados disponíveis e apresentados aqui. Entretanto, cabe manter a atenção sobre a evolução do indicador”, ressalta a Fiocruz.


Foto: Freepik


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