Estudo identifica novo biomarcador que pode ajudar a melhorar o tratamento da depressão


Um novo estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry identificou um biomarcador para depressão que pode ajudar os médicos a diagnosticar de maneira rápida e objetiva a doença e avaliar a eficácia dos antidepressivos. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

Um biomarcador, que é a abreviação de “marcador biológico”, consiste em uma característica biológica objetivamente mensurável que pode ser associada a uma condição médica. Um biomarcador confiável pode ser inestimável quando uma doença não apresenta sintomas objetivos determinados ​​externamente.

“Dados os custos médicos, econômicos e sociais substanciais envolvidos com o transtorno depressivo maior (TDM), há uma clara necessidade de um método prático e quantitativo para diferenciar e otimizar as opções de tratamento o mais cedo possível”, relatam os autores do estudo.

O principal alvo do biomarcador é a promessa de um teste simples, objetivo, rápido e preciso para o diagnóstico de TDM e a previsão da resposta ao tratamento. Segundo os pesquisadores, para aproximadamente 30% das pessoas que recebem prescrição de antidepressivos, o tratamento se mostra ineficaz. Além disso, em casos de sucesso, pode levar meses até que o indivíduo perceba quaisquer benefícios.

Os autores do estudo apontam que os eventos adversos associados aos antidepressivos podem ocorrer no início do curso do tratamento, o que contribui para a não adesão à medicação antes que os medicamentos alcancem a eficácia clínica.

Por isso, um teste de biomarcador já está sendo desenvolvido, o qual os pesquisadores descrevem como “uma ferramenta simples e barata que pode ajudar a diagnosticar a depressão e prever resposta antidepressiva muito antes dos 2 meses exigidos atualmente”.

Biomarcador da depressão

Pesquisas já realizadas anteriormente indicaram que, quando uma pessoa tem depressão, a quantidade ativada de uma enzima chamada adenilil ciclase é menor do que o normal. Isso causa uma redução da molécula monofosfato de adenosina cíclico (AMPc), cuja carência é associada à depressão.

A adenilil ciclase, em geral, produz AMPc por meio de sua interação com uma proteína heterotrimérica conhecida como Gs alfa. No entanto, se a Gs alfa fica presa dentro de uma “jangada lipídica”, ela é incapaz de interagir adequadamente com a adenilil ciclase. Uma balsa lipídica é um microdomínio rico em colesterol dentro das plaquetas.

“Isso sugere que, quando um antidepressivo é bem-sucedido, ele libera Gs alfa das balsas lipídicas para que possa interagir efetivamente com a adenilil ciclase. Quando um antidepressivo não funciona, uma certa quantidade de Gs alfa permanece presa”, destacam os autores.

Quando o exame de sangue de uma pessoa revela que o AMPc – o biomarcador – voltou aos níveis normais, isso significa que o tratamento para a doença provavelmente esteja fazendo efeito.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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