Estudo sugere que gordura no pâncreas pode proteger contra diabetes

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Um estudo realizado por cientistas do Centro Médico da Universidade de Genebra, na Suíça,  sugere que a gordura do pâncreas desempenha um papel na manutenção da produção de insulina, podendo proteger contra o diabetes. A pesquisa foi publicada na revista científica Diabetologia. As informações foram divulgadas pelo Medical News Today.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas para regular a quantidade de açúcar que circula no sangue. No diabetes, esse mecanismo regulador começa a se decompor quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando os tecidos do corpo se tornam resistentes aos efeitos do hormônio. Desse modo, como resultado do diabetes, o alto nível de açúcar no sangue descontrolado pode levar à cegueira, insuficiência renal, derrames e amputação de membros inferiores .

No estudo realizado em laboratório, as análises sugerem que as reservas de gordura no pâncreas podem ajudar a manter a secreção de insulina e retardar o aparecimento do diabetes. A pesquisa pode fornecer uma possível explicação para os benefícios do exercício e do jejum intermitente como estratégias para prevenir e tratar o diabetes tipo 2 – o tipo predominante da doença, sendo em grande parte resultado da inatividade física e excesso de peso corporal.

De acordo com os autores do estudo, um ciclo de armazenamento de gordura nas células do pâncreas após as refeições, seguido pela quebra de gordura nas horas antes da próxima refeição, pode ajudar a manter a produção de insulina.

A pesquisa

Para o estudo, os pesquisadores realizaram a exposição de células beta humanas e de rato a períodos com excesso de açúcar, com ou sem altos níveis de gordura. Ao longo do tempo, altos níveis de açúcar reduziram a capacidade das células de secretar insulina, em comparação com os níveis normais de açúcar. 

No entanto, os autores apontam que um suprimento abundante de gordura pareceu proteger a secreção de insulina das células beta – que produzem a insulina – contra os efeitos dos altos níveis de açúcar.

Eles ainda observaram que períodos de alta disponibilidade de gordura e açúcar, alternados com baixa disponibilidade, ativaram genes nas células pancreáticas que promoveram um ciclo de armazenamento e mobilização de gordura. Durante os períodos em que as células não tinham mais amplo suprimento de energia, os benefícios ficaram cada vez mais evidentes.

Os pesquisadores contam que um jejum de apenas 4 a 6 horas seria o suficiente para permitir que as células beta redefinissem e recuperassem sua capacidade de secreção de insulina entre as refeições. Eles entendem que a liberação de gordura das reservas não é um problema, desde que o corpo a use como fonte de energia entre as refeições, como para alimentar sessões regulares de atividade física.

Por ser um estudo baseado em laboratório, entidades de saúde do Reino Unido apontam que a pesquisa pode não refletir o que acontece no corpo humano. Além disso, os especialistas destacam que o diabetes tipo 2 envolve problemas com outros tecidos e órgãos, não apenas com o pâncreas. 


Foto: Freepik


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