ButanVac produz mais anticorpos contra Covid-19 do que vacinas de mRNA, diz estudo

0
80

Um estudo coordenado por pesquisadores da Icahn School of Medicine de Mount Sinai, de Nova York, nos Estados Unidos, revelou que a vacina ButanVac é capaz de produzir mais anticorpos contra o SARS-CoV-2 – vírus causador da Covid-19. 

A candidata a vacina de vírus inativado contra a Covid-19 produzida pelo Instituto Butantan induz proporcionalmente mais anticorpos capazes de neutralizar o vírus do que as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), tecnologia utilizada por vacinas como a Moderna e a Pfizer. 

A ButanVac utiliza a mesma tecnologia da vacina da gripe, sendo considerada uma especialidade do Instituto Butantan. De acordo com o Butantan, ela consiste na inoculação de um vírus modificado que contém a proteína S (spike) do SARS-CoV-2 em ovos embrionados de galinhas. Por isso, o imunizante pode ser fabricado a baixo custo, além de poder ser armazenado e distribuído sem a necessidade de congeladores, ajudando a democratizar o acesso à vacinação.

A pesquisa

Publicado na plataforma de preprints MedRxiv, o estudo contou com a análise de soros de um ensaio clínico de fase 1 feito na Tailândia com 175 participantes que foram vacinados com a ButanVac e 35 que receberam placebo. 

Os pesquisadores compararam os dados com amostras de um outro estudo conduzido em Nova York com 20 participantes que receberam a vacina da Pfizer e outros 18 convalescentes. As faixas etárias e a distribuição por sexo entre as amostras foram similares.

Os resultados da pesquisa, segundo o Butantan, indicaram que a quantidade de anticorpos neutralizantes é semelhante entre os dois imunizantes, mas que a proporção desses anticorpos – em relação aos anticorpos de ligação – da ButanVac é consideravelmente maior do que a do imunizante de RNA mensageiro, a Pfizer, e comparável à proporção observada em pacientes recuperados da Covid-19.

Nesse contexto, significa que uma grande parcela dos anticorpos produzidos pela ButanVac possui atividade neutralizante, o que pode impedir a infecção, enquanto a vacina da Pfizer o outro imunizante produz mais anticorpos de ligação – capazes de detectar o vírus, mas não neutralizá-lo.

Além disso, foram realizadas análises adicionais que mostraram que, ao contrário da vacina de mRNA, que induz títulos de anticorpos fortes para o domínio de ligação ao receptor (RBD), o domínio N-terminal e o domínio S2, a ButanVac gera uma resposta mais focada em RBD. 

“Isso explica a alta proporção de anticorpos neutralizantes, uma vez que a maioria dos epítopos neutralizantes estão localizados no RBD”, apontam os autores do estudo.

De acordo com o Butantan, epítopos são a menor porção do antígeno – no caso, o coronavírus – capaz de gerar uma resposta imune a partir da ligação com os anticorpos. Grande parte dos anticorpos neutralizantes têm o RBD como alvo – e é nesta região que ocorre a ligação entre o vírus e o receptor ACE2 da célula humana. Quando os anticorpos se ligam ao RBD, eles bloqueiam a entrada do vírus, impedindo a infecção.

Para que os achados da pesquisa sejam validados, os pesquisadores selecionaram algumas amostras aleatoriamente e enviaram para um laboratório independente, da Emory University. O laboratório mediu as atividades de ligação e de neutralização, mas as amostras fornecidas foram ocultadas e o motivo da execução dos testes não foi divulgado.

“Os soros de indivíduos vacinados com NDV-HXP-S [nome internacional da ButanVac] mostraram novamente proporções semelhantes de anticorpos neutralizantes aos soros de indivíduos convalescentes. Esse padrão, observado no SARS-CoV-2 original, também foi visto para as variantes delta e beta”, informam os autores no estudo.

Ensaios clínicos 

Em setembro do ano passado, foram divulgados os primeiros resultados dos testes clínicos de fase 1 realizados na Tailândia, que demonstraram que a ButanVac é segura e imunogênica. O imunizante é capaz de induzir alta produção de anticorpos IgG, que varia de 151,7 BAU/ml (unidades de anticorpos de ligação por mililitro) com a dosagem de um micrograma (1 µg) até 479,8 BAU/ml com 10 µg.

A fase 1 de um ensaio clínico é realizada para atestar a segurança da vacina e determinar qual dosagem induz a melhor resposta no organismo. De acordo com o Instituto, todos os participantes tomaram duas doses com intervalo de 28 dias e menos de um terço apresentou efeitos adversos, sendo que os sintomas mais comuns foram dor e sensibilidade no local da injeção.


 Foto: Governo do Estado de São Paulo


LEIA MAIS
Fiocruz: estados apresentam alta nas taxas de ocupação de leitos de UTI Covid
Cambridge começa a testar vacina sem agulha contra Covid-19

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here